Fim de ano dobra nº de crianças nas ruas

São mais 500 em volta de centros comerciais paulistanos nesta época

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

A Secretaria de Assistência Social estima que, neste fim de ano, o número de crianças pedindo esmola nas ruas de São Paulo deve ser o dobro em relação a 2006. Nos últimos meses do ano passado foram contadas 300 criança a mais. Em 2007, devem ser pelo menos 500 extras. De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o número de meninos e meninas que trabalham normalmente nas ruas é de 1.040. O secretário de Assistência Social, Floriano Pesaro, diz que a migração de fim de ano ocorre principalmente por parte de moradores da periferia e de cidades vizinhas. São pessoas que vêm ficar perto de shoppings, mercados e locais de grande movimentação. "E esse pessoal ainda traz cada vez mais gente. Quando ganham bastante, separam um pouco do dinheiro para trazer a vizinha ou parentes."Na tentativa de diminuir a migração, a Prefeitura iniciou a distribuição de panfletos para comerciantes da região central - Sé, República, Anhangabaú e Liberdade. O objetivo é orientar os funcionários do comércio a não dar esmolas nem alimentos a essas pessoas. Como São Paulo também recebe muitos turistas nesse período, a mesma ação deve ser feita nas rodoviárias, no aeroporto e na região da Rua 25 de Março. "Estamos conversando com o pessoal da São Paulo Turismo (SPTuris) para organizar a campanha nesses locais", relata Floriano. O promotor da Infância e Juventude, Motauri de Souza, prefere não julgar quem doa. Mas ressalta que a esmola afasta cada vez mais as crianças dos programas sociais. "É preciso fazer programas que seduzam, com atividades lúdicas. Mas se o dinheiro vem fácil, fica mais difícil." Souza lembra que, com o término das aulas, a propensão de as crianças ficarem nas ruas é maior. Para o presidente da Associação Rede Rua, Alderon Costa, a campanha é válida, mas não vai acabar com os pedintes. "Precisamos de uma política social que resolva o problema." O coordenador da Pastoral do Povo de Rua, padre Júlio Lancellotti, lembrou que as doações podem ser feitas diretamente para entidades conhecidas ou para o Fundo da Criança e do Adolescente.

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