Fim de campanha: Alckmin agressivo e Lula ´fala com o povo´

A uma semana da eleição, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, decidiu mudar seu programa no rádio e na televisão. Na reta final, será muito mais agressivo, principalmente em relação ao PT, que vai aparecer como dono do dinheiro destinado à compra do dossiê Vedoin. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai deixar o programa quase do jeito que está. De mudanças, mesmo, apenas algumas ironias em relação a Alckmin serão acrescentadas.O comando tucano acha que a fórmula tentada até agora não deu os resultados eleitorais esperados. Pelo atual formato, um locutor denuncia a participação de petistas na compra do já famoso dossiê Vedoin contra o PSDB no momento em que são mostradas fotografias do R$ 1,75 milhão apreendido pela Polícia Federal e, como contraponto, Alckmin fala de suas realizações e obras no governo de São Paulo. Na quinta-feira, reunido com seu conselho político, o candidato tucano decidiu mudar quase tudo.Lula, pelo contrário, entende que seu programa fala diretamente ao povo, tanto no que se refere às pequenas intrigas contra o adversário, quanto em relação às realizações de seu governo. Nas últimas avaliações feitas a respeito do programa eleitoral e nas análises de pesquisas eleitorais - divulgadas ou não -, o presidente e seus marqueteiros concluíram que a estratégia adotada deu certo.PrivatizaçõesDe tanto insistir no tema, os petistas conseguiram, por exemplo, fazer com que os eleitores de fato acreditem que se Geraldo Alckmin vencer a eleição vai vender estatais como o Banco do Brasil, a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e os Correios. Avaliaram que ainda não é possível passar para o eleitor a idéia de que, na Presidência, Alckmin vai cortar os gastos sociais, como os da Previdência e para o Bolsa-Família.Por isso, criaram uma pequena peça que será insistentemente mostrada daqui até o fim da campanha, principalmente no rádio, veículo de grande penetração nas camadas mais pobres. Nessa peça, duas ?comadres? conversam a respeito de Alckmin. Uma diz que ele pretende cortar R$ 60 bilhões do dinheiro dos pobres, outra responde que o tucano, no governo de São Paulo, evitou a abertura de mais de 60 CPIs na Assembléia. A primeira ?comadre? afirma que Alckmin gosta do ?sessenta?. A outra responde: ?Setenta também. Cê tenta acreditar no Alckmin e não consegue.?Na reunião de quinta-feira, o comando da campanha tucana concluiu que o candidato caiu na armadilha de Lula, que lhe pregou a imagem de privatista, e passou a gastar quase todo o seu tempo para responder que não pretende privatizar estatais seculares, como o Banco do Brasil. Portanto, Alckmin vai parar de responder às insinuações do PT. O programa ganhará também uma tintura muito mais agressiva, na tentativa de reduzir nos momentos finais a grande vantagem que separa os dois candidatos, de acordo com as pesquisas eleitorais.Nos quatro últimos dias da campanha, que termina na quinta-feira, o programa de Alckmin insistirá em mostrar as fotos do dinheiro do dossiê. Mas afirmará que a operação que arrecadou R$ 1,75 milhão para a compra do material anti-tucano não é de responsabilidade apenas do PT paulista, como quer fazer crer a campanha de Lula, mas do partido como um todo. Será dito que o PT nacional é comandado pelo PT paulista. O problema, na visão do conselho político de Alckmin, é que certamente esses programas terão muita contestação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). AçõesA assessoria de Lula já se preparou para isso e fará quantas ações forem necessárias para tentar tirar tempo do programa de Alckmin nos últimos dias da campanha. Se vencer na Justiça, o petista não pretende ocupar o espaço com propaganda sua. Quer deixá-lo em branco, ao mesmo tempo em que um locutor dirá que a Justiça puniu o adversário por ter dito ?mentiras? a respeito de Lula.Os dois candidatos terão ainda dois debates pela frente. Nesta segunda-feira, dia 23, na TV Record e, na sexta, dia 27, na TV Globo. Alckmin estuda a idéia de ser mais agressivo, para tentar deixar o petista nervoso, assim como ocorreu no embate da TV Bandeirantes. Os estrategistas de Lula acham que, com o debate do SBT, na quinta-feira da semana passada, Lula mostrou que está preparado para qualquer coisa, esteja o adversário feroz ou calmo. O comício final de Alckmin será em São Paulo; o de Lula, no Rio de Janeiro, ambos na quinta. No domingo, Alckmin vota em São Paulo e Lula em São Bernardo do Campo.

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