Financiamento do metrô de SP vira 1º tema da campanha

Lula, Mercadante e ministros reagem à crítica de Alckmin: BNDES deu linhas de R$ 3,9 bilhões para o sistema paulista

Fabiane Leite e Lu Aiko Otta / BRASÍLIA e Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiram ontem à declaração do pré-candidato tucano Geraldo Alckmin, em entrevista ao Estado, de que a União não aplicou "nenhum centavo" no metrô de São Paulo. Segundo os petistas, o governo aprovou linhas de financiamento do BNDES no valor de R$ 3,9 bilhões para o transporte sobre trilhos em São Paulo. "Eu participei da aprovação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, e o PSDB também. Não tem cabimento", disse Mercadante em Limeira, no interior paulista. "Não acredito que o Alckmin tenha dito isso. Custo a crer. Até porque contra número não existe explicação", disse Lula, em São Bernardo do Campo.

Alckmin disse que "o governo federal coloca dinheiro no metrô no Brasil inteiro, em seis ou sete capitais, e nenhum centavo em São Paulo".

Para o presidente, o tucano "falou isso equivocadamente". "Se ele tivesse pedido, se o (José) Serra (pré-candidato à Presidência pelo PSDB) tivesse pedido para o governador as informações, ele saberia porque não existe possibilidade de um Estado ter recebido menos dinheiro porque o governador pertence a esse ou aquele partido político", afirmou Lula. "Não existe a menor hipótese porque não é assim que nós trabalhamos."

Orçamento. O ministro das Cidades, Márcio Fortes, disse ao Estado que São Paulo recebeu R$ 270 milhões do Orçamento Geral da União no período de 2008 a 2009 e aplicou os recursos na Linha 4 (Luz-Vila Sônia). As verbas foram repassadas por intermédio da Companhia Brasileira de Trens Urbanos.

Os tucanos alegam que a quantia liberada é, na verdade, dinheiro dos cofres estaduais. Esses recursos, diz o PSDB, são resultado de um acordo feito com o governo Lula após a venda do banco Nossa Caixa. A União teria feito uma cobrança indevida a São Paulo e, após o assunto parar na Justiça, ficou acertado que o governo federal devolveria a quantia em forma de investimentos no metrô.

Fortes disse ainda que foram liberados R$ 27,5 milhões em recursos do Orçamento para elaborar os projetos de um veículo leve sobre trilho (VLT) ligando o sistema de metrô ao ABC. "Já há decisão de realizar a obra, que está na fase de projeto básico."

"Acho estranho que o PSDB nos acuse de gastar muito e ao mesmo tempo nos pressione para gastar mais", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Ele explicou que o metrô paulista recebeu US$ 500 milhões em empréstimos do Banco Mundial e igual valor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Essas instituições exigem que o Tesouro Nacional seja o avalista. "Se não fosse a União, esses financiamentos não existiriam", observou.

Além do financiamento de R$ 3,9 bilhões, informado por Mercadante, outro financiamento de R$ 1,2 bilhão será liberado para a construção de um monotrilho ligando a rede de metrô ao aeroporto de Congonhas.

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