Financiar a saúde, 'mas sem nova taxa'

Primeiro confronto é entre os que acham que a saúde precisa de mais dinheiro e os que veem a má gestão como principal problema

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2010 | 00h00

ENTREVISTA

Eduardo Campos, governador reeleito de Pernambuco

Mesmo com a maior votação proporcional (82,84% dos votos válidos) entre os governadores e integrante de um partido da base aliada, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, abandonou a ênfase na defesa da criação de um tributo - uma reedição da CPMF - para arcar com gastos na área da saúde.

Diante da má repercussão da proposta, articulada entre o PSB e o Planalto, Campos decidiu adotar discurso mais cauteloso. "Prefiro encontrar saída para o financiamento sem criar nenhum tributo novo." Em entrevista ao Estado, ele disse ainda que o PSB não barganha cargos.

O PSB corre o risco de ficar parecido com o PMDB na ânsia por cargos?

Nossa preocupação não são cargos. Não foi no balcão da barganha de cargos que o PSB cresceu. Nossa preocupação é com o conteúdo do governo. Como é que o governo vai fazer para manter o nível de crescimento.

O sr. se mostrou a favor de recriar um mecanismo para financiar a saúde. Pretende liderar, nesse sentido, uma ação dos governadores da base?

É bom que fique claro: nós queremos pautar o debate sobre a questão da saúde pública e o financiamento do SUS. Eu prefiro encontrar saída para o financiamento sem criar nenhum tributo novo. Nós não estamos propondo criação de tributo. Estamos propondo um debate nacional, com governo e oposição. Todo mundo que disputou mandato federal e estadual falou sobre saúde. Todos os governadores e candidatos a presidente falaram. Passada a eleição, o povo quer saber se a gente agora vai buscar as saídas.

O senhor foi o governador mais votado do País. Pretende disputar a Presidência em 2014?

Discutir oito dias depois de uma eleição um projeto para 2014 é um desrespeito ao Brasil, à sociedade e à presidente que a gente acabou de eleger. Penso em fazer um governo em Pernambuco melhor do que fiz nos últimos quatro anos.

Há espaço para o sr. e o deputado Ciro Gomes no PSB? O sr. vai ser candidato a que em 2014?

Deixa chegar 2014. Eu e o Ciro vamos seguir juntos, amigos, companheiros, ajudando o partido a crescer. Não temos nenhuma dificuldade de atuar juntos. Para mim é um prazer estar ao lado de Ciro no PSB.

Mas não existe uma certa ciumeira entre vocês?

Não. Sinceramente estou ouvindo falar nisso pela primeira vez.

O que o sr. acha da proposta do governador do Ceará, Cid Gomes, de o governo apoiar a candidatura do senador eleito Aécio Neves (MG) para presidir o Senado?

A tese que o Cid defende é a mesma que eu defendo, que é fundamentar o diálogo entre aqueles que estão na base do governo e os que estão na oposição. E nós temos relações políticas de fraternidade com muitos quadros do PSDB. Alguns tiveram inclusive o nosso apoio.

Na eventualidade de vir a disputar à Presidência em 2014, o sr. se sentiria mais próximo dos tucanos ou do PT?

Estamos acabando uma eleição onde nós apoiamos a Dilma desde o primeiro turno. Temos um conjunto de alianças em vários Estados e uma relação muito boa com o PSDB. Às vezes a gente está junto com outros partidos de que nunca fomos aliados antes. Por que a gente não vai estar junto de pessoas que construíram conosco a democracia, que viveram conosco vitórias importantes?

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.