Fio dental vira item obrigatório em Santos

Locais que vendem comida têm de oferecer o produto nos banheiros

Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

Todos os estabelecimentos que vendem alimentos em Santos, na Baixada Santista, terão de disponibilizar fio dental para utilização dos clientes. A lei foi sancionada no fim de janeiro e o prazo para os comerciantes se adequarem expirou no dia 21. Agora, o Código de Posturas do Município obriga restaurantes, lanchonetes e similares a terem "aparelho dispensador instalado nos respectivos sanitários". De autoria do vereador Braz Antunes Mattos Neto (PPS), que é cirurgião-dentista, a lei agradou à classe odontológica e a expectativa é de que também seja bem aceita por comerciantes e clientes. "O mesmo gasto com os palitos de dentes pode ser usado para o dispensador de fio dental, que é parecido com os equipamentos de papel para secar as mãos. Só a pessoa que usa tem contato com o fio, diferentemente do palito, que fica na mesa e todo mundo pode mexer, incluindo os funcionários", afirma o vereador, destacando a proliferação de bactérias e a gravidade de doenças como a endocardite bacteriana.Além da saúde pública, Mattos cita o aspecto social da iniciativa. "Há muitas reclamações de como é desagradável chegar a um restaurante e ver a pessoa palitando os dentes à mesa."A coordenadora do curso de Odontologia da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Rosangela Aló Maloza Flores, afirma que os palitos deveriam ser usados apenas para as pessoas pegarem petiscos - e não na higiene bucal. Ela acredita que a lei diminuirá os problemas periodontais (de gengiva) dos pacientes. "O uso do palito muitas vezes prejudica a gengiva. É gostoso ir ao banheiro e encontrar o fio dental", afirmou a dentista e mestre em Ciências da Saúde pela Escola Paulista de Medicina. A fiscalização da nova lei ficará a cargo da Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, que conta com 24 técnicos para a tarefa. "Nos 90 dias que se seguiram à sanção da lei, o caráter da fiscalização foi educativo, mas agora os estabelecimentos que não tiverem os dispensadores quando forem visitados pela Vigilância receberão um termo de intimação e terão oito dias para instalar", explicou o chefe de atividade técnica da Vigilância, Carlos de Souza Filho. Caso continuem irregulares, os proprietários dos bares e restaurantes receberão multas a partir de R$ 1 mil. Ninguém recebeu a intimação ainda.CANUDINHOSMas o chefe da Vigilância afirma que os comerciantes estão aceitando bem a nova lei e deverão se adequar, assim como fizeram com a chamada "lei dos canudinhos". Aprovada em dezembro de 2007, obriga os estabelecimentos a fornecerem aos clientes canudos de plástico descartáveis, individual e hermeticamente embalados. A medida pegou em Santos e é cumprida nos melhores restaurantes e até nos quiosques e pelos ambulantes da praia.

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