Fiocca contesta propostas de corte de gastos e controle do dólar

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca rebateu hoje as recentes declarações de Yoshiaki Nakano, um dos responsáveis pela elaboração da proposta de governo do candidato do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin. Fiocca avaliou que a possibilidade de corte de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nas despesas correntes de 2007, proposta nesta terça-feira por Nakano, implicaria em redução dos gastos sociais.O presidente do BNDES lembra que os gastos correntes relacionados ao custeio da máquina pública, referentes a pagamento de pessoal, viagens, etc, já foram reduzidos pelo governo Lula de 5,6% para 5,2% do PIB, sendo que a maior parte refere-se a pagamento de pessoal. Fiocca lembrou que há uma série de restrições que impedem a redução desse quadro de pessoal, incluindo a garantia de estabilidade do emprego do funcionalismo público.Porém, por conta de uma série de restrições à redução do quadro de pessoal, não seria possível cortar 3% nestas despesas. Conforme o presidente do BNDES, haveria possibilidade do corte de despesas se houvesse redução de investimentos. "Pelo que eu entendi, o próprio Nakano e outros dizem que querem cortar (gastos) para aumentar investimentos, então o que sobra são (os cortes) de gastos sociais", acredita.Críticas à centralização do câmbioO presidente do BNDES criticou ainda a proposta de centralização de câmbio, apresentada ontem por Nakano. Por esta proposta, Nakano sugere a queda do juro interno como forma de evitar a entrada de dólares no País. Sugeriu ainda, em casos especiais, instrumentos de controle de capitais, como a tributação de entrada de investimentos do exterior. Fiocca avalia que o governo adotou a direção certa com as medidas mais recentes adotadas na área de câmbio, que funcionam basicamente no sentido de aumentar a demanda por dólares, ao invés de reduzir a oferta.Para Fiocca, a idéia do assessor do candidato tucano "lembra um pouco a realidade que o Brasil tinha até cinco anos atrás, que era um país que a cada dois anos tinha crise no balanço de pagamentos". Ele completou ainda dizendo que o país tem hoje uma abundância de dólares. "Não sei até que ponto a centralização poderia contribuir para a desvalorização (da moeda americana)".

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