Fiocruz mapeia as 'doenças da pobreza'

Sem uma política competente de saúde, os programas de combate à miséria no Brasil não terão sucesso. Quem afirma isso é a médica Tânia Araújo-Jorge, diretora do Instituto Oswaldo Cruz, a instituição que enviou ao governo federal na semana passada nota técnica com um mapa das doenças associadas à pobreza, para servir como subsídio para o programa Brasil sem Miséria.

, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2011 | 00h00

"O combate à miséria precisa ser uma ação multissetorial, atuando em várias frentes de forma articulada", disse ela ao Estado. "Existem doenças que são ao mesmo tempo geradoras de pobreza e resultado da pobreza, formando um círculo vicioso."

O documento do instituto compilou dados Ministério da Saúde, fornecendo ao governo um balanço do crescimento de doenças diagnosticadas entre pessoas de baixa renda, as chamadas "doenças negligenciadas", ou "doenças da pobreza". Algumas delas, como tuberculose, sífilis, dengue e diversos tipos de verminoses, estão recrudescendo.

Para a diretora do instituto, as estratégias de controle das doenças da pobreza ainda não são suficientes para eliminá-las. "Os dados relativos às doenças da pobreza nos mostram que há muito a ser feito. Trata-se de um acúmulo de décadas, de um passivo em relação ao tema", disse ela. "Se há poucas décadas o perfil epidemiológico brasileiro estava composto principalmente por doenças transmissíveis, hoje ele evoluiu para as chamadas doenças crônicas - cardíacas, diabetes, obesidade e outras, que ganham importância cada vez maior. Ou seja, houve uma transformação no quadro epidemiológico mais geral. No entanto, para parcelas importantes da população, as doenças da pobreza ainda são relevantes e se superpõem a estas novas, impactando em complexidade para o sistema."

A novidade, segundo a pesquisadora, é que o governo federal, pela primeira vez, está procurando enfrentar de maneira global as questões que envolvem a miséria.

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