Fiscal é esfaqueado e morto por ambulante

A divergência entre fiscais da Prefeitura e camelôs teve um desfecho trágico na tarde desta quinta-feira. Depois de ter a mercadoria apreendida no início da manhã, um ambulante conhecido apenas como ?Índio?, esfaqueou dois agentes administrativos, matando MizaelJoaquim Vicente, de 40 anos, e deixando ferido com gravidade, José Carlos Pivetti, de 39 anos. O crime ocorreu por volta das 15 horas na confluência das ruas XV de Novembro e Direita, com a Praça da Sé, na região central da cidade. Segundo testemunhas, Índio, que é pardo, tem por volta de 1,75m de altura, 25 anos e uma cicatriz na cabeça, preparou uma cilada para os funcionários da Prefeitura. Ele escondeu-se atrás de uma parede, e quando viu os fiscais passando pelo calçadão, atacou-os pelas costas com um facão. Ele fugiu em seguida, correndo pela Rua Direita e levando a arma do crime.Vicente foi ferido várias vezes na região dorsal, e Pivetti teve cortes nopescoço e no tórax. Os dois foram socorridos por policiais militares e levados para o Hospital do servidor Público Municipal, na Liberdade, onde Vicente já chegou morto. Seu corpo seria transferido para o Instituto Médico Legal. Segundo os médicos, o estado de Pivetti inspirava cuidados.Os dois fiscais trabalhavam há menos de um ano na Prefeitura. Eles foram admitidos no dia 27 de fevereiro de 2002, num esquema emergencial e deveriam renovar o contrato no final deste mês. Segundo amigos, que não quiseram se identificar, que também trabalham na fiscalização, Vicente já havia sido ameaçado outras vezes por Índio, numa oportunidade chegou a exibir um facão para evitar a apreensão das mercadorias. Segundo a polícia, Índio comercializava brinquedos contrabandeados e trabalhava para um outro ambulante conhecido como Bastos, que também está sendo procurado.Momentos depois do crime, Bastos, que aparenta 48 anos, é pardo e forte, desmontou a barraca e desapareceu. O caso está sendo investigado pela chefia do 1º Distrito Policial, que já solicitou a elaboração de um retrato-falado de Índio e Bastos. De acordo com o delegado titular, Jair de Castro Oliveira Vicente, o caso é muito delicado e exige a mobilização de várias equipes. ?Os fiscais trabalham para coibir abusos, e quando um representante da lei é atacado é sinal de que a sociedade corre perigo?, afirmou o delegado. De acordo com a assessoria de imprensa da Subprefeitura da Sé, afiscalização para evitar a atuação de ambulantes irregulares no local não será modificada em função do crime. Por volta das 18 horas no entanto, ainda era grande o número de camelôs trabalhando sem licença na região. Alguns deles conheciam os fiscais e também os agressores, mas nenhum quis comentar o caso. Eles alegaram que não tinham visto nada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.