Fiscal morto relatou trabalho escravo e infantil em Unaí

Informações nos relatórios elaborados pelo auditor fiscal da Delegacia Regional do Trabalho, Nelson José da Silva, 52 anos, executado na semana passada em Unaí, em Minas Gerais, apontam para a existência de trabalho escravo e infantil nas fazendas da região Noroeste do Estado. O conteúdo do relatório, que está em poder da força-tarefa que investiga a morte dos fiscais, foi examinado pelo deputado Rogério Correia (PT), que faz parte da Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa.De acordo com o deputado, no relatório, que contém informações dos últimos 12 meses, o fiscal relata que os trabalhadores eram contratados pelos "gatos" - intermediários na relação entre os produtores rurais e os lavradores -, para fazer determinado serviço, mas eram obrigados a se submeterem a condições degradantes de trabalho. "Para se ter uma idéia, os lavradores eram contratados para trabalhar numa determinada região. Porém, eram levados para outra dez vezes mais distante. Como não tinham como voltar para casa, ficavam confinados na fazenda, subordinados aos mandos e desmandos dos fazendeiros", diz o deputado, que teve acesso aos documentos em Unaí.Além de se submeterem às condições oferecidas pelos produtores rurais, os lavradores levavam os filhos para a colheita de feijão, milho e soja. "No relatório o fiscal denuncia a presença na lavoura de várias crianças, trabalhando descalças e sem a menor condição de enfrentar o trabalho pesado de uma lavoura na época de colheita", disse o deputado. Conforme Correia, com base nas informações do relatório, será preparada uma operação fiscalizadora na região.

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