Fisco sabe da falsificação desde segunda-feira

A Receita escondeu por 5 dias a procuração falsa usada para violar o sigilo fiscal do genro de José Serra, Alexandre Bourgeois. Desde segunda-feira, a delegacia da Receita em Santo André sabe que o contador Antônio Carlos Atella Ferreira usou procuração falsa para retirar as declarações de renda de Alexandre no dia 30 de setembro de 2009, mesmo dia em que adotou prática igual para violar os dados de Verônica Serra.

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

Mesmo assim, na quarta-feira, a Receita divulgou nota à imprensa em que negava a violação do sigilo fiscal do genro do candidato. "No caso do contribuinte Alexandre Bourgeois houve acesso apenas aos seus dados cadastrais e não quebra de seu sigilo fiscal", disse. A nota tentou minimizar a revelação do portal estadão.com.br de que os dados de Alexandre haviam sido violados na agência de Mauá em 16 de outubro de 2009.

O ofício assinado ontem por Heloísa de Castro, delegada da Receita em Santo André, comprova que a Receita já sabia da procuração. No ofício, Heloísa informa à corregedoria que entregou o documento na segunda-feira, dia 6, à Polícia Federal. Não é a primeira vez que a Receita esconde informações. No dia 2, o Estado revelou que o órgão omitiu que era falsa a procuração usada para violar o sigilo de Verônica.

A procuração em nome de Bourgeois foi usada por Atella para retirar as declarações de renda de 2005 a 2009 do empresário. Os papéis mostram que, às 11 horas de ontem, a comissão da corregedoria pediu para a delegacia de Santo André verificar se houve algum pedido de cópia de declarações de renda em nome do genro de Serra. A resposta chegou em seguida: o órgão sabia da violação desde segunda-feira e havia repassado a informação ao delegado Kleber Massayoshi Isshiki, da Polícia Federal.

Isshiki pediu a Heloísa de Castro as requisições usadas por Atella entre setembro e novembro de 2009. Apesar de o contador afirmar que trabalhava com lotes diários, a Receita entregou à PF apenas três requisições: a de Bourgeois e de outras duas pessoas, Wilson Luiz Moll e José Gomes Graciosa, que, aparentemente, não têm ligações com o PSDB. E deixou de fora a procuração de Verônica.

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