Física da Fuvest: mais raciocínio e menos fórmulas

A prova de Física, tradicionalmente considerada uma das mais difíceis do vestibular da Fuvest, foi a única que apresentou mudanças significativas no exame realizado neste domingo.Conforme organizadores da Fuvest haviam adiantado, os enunciados foram mais curtos e menos complexos. "O estilo foi totalmente diferente dos últimos anos. Exigiu muito mais raciocínio do que cálculos", avaliou o coordenador de Física do Curso Objetivo, Ricardo Helou Doca.A prova inicial da primeira fase da Fuvest foi realizada em 208 locais, sendo 128 na capital e na região metropolitana. Além das 20 questões de Física, a prova teve 26 testes de Português, 20 de Química e 14 de Inglês. Compareceram ao exame 141.109 dos 146.307 que se inscreveram.O exame de Química foi considerado o mais complicado por professores e alunos. Segundo o coordenador da disciplina no Curso Objetivo, Antônio Mario Salles, foi exigida muita interpretação de texto. "Os enunciados continuaram longos", disse."Os problemas exigiram muitos cálculos, não dava tempo de resolver", disse o estudante Leandro Avena Prone, de 18 anos, que concorre a uma vaga no curso de Ciências Sociais.Segundo ele, as provas exigiram muita aplicação de fórmulas. Uma das poucas questões consideradas fáceis pelo professor Salles foi a relacionada com o antraz. A Fuvest pedia para que o aluno analisasse um composto que combate a bactéria.A instituição tem realizado estudos, a pedido da pró-reitoria de graduação da Universidade de São Paulo (USP), para tentar deixar o exame mais próximo do aluno de ensino médio público.As maiores mudanças devem aparecer em 2002. Esperava-se porém, que já fossem exigidas menos fórmulas e mais raciocínio, além de enunciados mais curtos e diretos.O estudante Caio da Silveira, de 24 anos, considerou o exame difícil de responder, mas fácil de entender. "As questões estavam muito bem formuladas", disse Silveira, que está prestando vestibular para História e completou o exame em pouco mais de três horas."A prova estava bastante objetiva. Achava que ia ser mais difícil", concordou Lucas Ângelo, de 20 anos, que concorre a uma vaga no curso de Letras.Para o professor do Objetivo Nelson Dutra, a prova de Português deste ano exigiu do aluno uma leitura crítica, muito mais do que decorar pontos gramaticais. "Foi uma prova de compreensão", disse.Segundo ele, o exame não foi diferente do que a Fuvest costuma apresentar. "A ênfase tem sido cada vez menos em gramática e mais na interpretação de textos", concordou Prone, que está prestando a Fuvest pela terceira vez.Alguns estudantes que realizaram a prova na Universidade São Judas Tadeu, na Mooca, consideraram a prova de Português a mais fácil do vestibular deste domingo.A prova de Inglês, segundo professores, surpreendeu por não apresentar nenhuma questão de gramática. "O importante foi o raciocínio", classificou o coordenador da disciplina no Objetivo, Arnon Hollaender. A prova também apresentou muitos textos com alternativas de resposta, sempre em inglês. Segundo ele, muitas das questões estavam relacionadas ao cotidiano do jovem e tratavam de computadores e realidade virtual.Manter a calma e não perder tempo com as perguntas mais difíceis foi a fórmula das amigas Michele Corrêa de Castro e Luciana Arantes Fernandes para completar a prova no tempo determinado.Ambas prestaram o exame pela segunda vez no colégio estadual Professora Zuleika de Barros Ferreira, na Pompéia, com outros 630 alunos. "Você tem que ficar tranqüila ou não consegue se concentrar", disse Luciana, de 18 anos. "No primeiro ano, eu estava muito nervosa, mas agora nem tanto porque já chorei a semana toda", diz Michele, que fez 19 anos neste domingo e quer cursar Medicina."Quatro horas de prova são suficientes", disse o estudante Bruno Rodrigues Bertolozzi, de 18 anos, que está prestando Engenharia Agrônoma. "É só não ficar encanado com as perguntas mais difíceis. Se não sabe, pula."A Fuvest oferece este ano 8.246 vagas, sendo 7.801 na USP, 230 na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa e 215 na Academia da Polícia Militar do Barro Branco. O curso mais concorrido foi o de publicidade e propaganda com 98,8 candidatos por vaga.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.