Flagrado com aparelho para furto, grupo é solto

Para delegado, homens detidos com dispositivo para reter depósitos em caixas eletrônicos não podem ficar presos enquanto perícia não sair

Daniela do Canto, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2009 | 00h00

Quatro homens foram detidos por policiais militares na noite de anteontem sob a suspeita de tentativa de furto em um caixa eletrônico do banco Santander na Avenida Paes de Barros, Mooca, zona leste de São Paulo. Com eles, os PMs afirmam ter encontrado cinco dispositivos usados para reter envelopes de depósito e um cheque de R$ 107, que teria sido furtado depois de uma tentativa de depósito no mesmo dia em Santo André, no ABC paulista. Levados ao 18º Distrito Policial (Parque da Mooca), os quatro suspeitos foram liberados pelo delegado plantonista. Ele disse que não poderia mantê-los presos antes de ter em mãos o resultado da perícia.Conforme informações dos PMs, os vigilantes C.R.F.A.J, de 27 anos, e J.E.S, de 32, o desempregado D.M.C, de 30, e o atendente V.A.B, de 30, foram detidos por volta das 19h20 do lado de fora da agência. Os dois vigilantes seriam funcionários de uma empresa que presta serviços de segurança a bancos.Segundo o tenente Nilson Tarcísio, uma testemunha notou a movimentação suspeita dentro da agência e avisou a PM. Os policiais foram até o local e detiveram os suspeitos. "Com eles, encontramos cinco equipamentos usados para reter envelopes de depósito e o envelope com o cheque dentro", contou o tenente. A PM apreendeu R$ 673 em dinheiro com os suspeitos.Por meio das informações contidas num envelope com cheque, a PM chegou até a professora de inglês Audrey Angélica Gonzalez Oliveira, de 21 anos. Ela contou que tentou depositar o cheque às 15 horas de domingo em um agência do Santander da Alameda Vieira de Carvalho, em Santo André. "Tentei depositar em dois caixas, mas deu que o serviço estava indisponível." Depois disso, o cheque não foi devolvido.Na delegacia, Audrey reconheceu o cheque apreendido. De acordo com a PM, os quatro detidos teriam confessado informalmente que praticaram o furto em Santo André e pretendiam fazer o mesmo na Mooca.Antes de entregar o envelope com o cheque à Polícia Civil, os PMs fizeram fotos do envelope. Mas, conforme o tenente Tarcísio, ele foi rasurado depois de entregue na delegacia.FORJADOO advogado dos quatro suspeitos, Alessandre Azarias, afirmou que a PM forjou provas contra seus clientes. "Para mim, só pode ser (forjado), porque eu não vi o material (dispositivos e o cheque apreendidos)."O delegado plantonista do 18º DP, responsável pelo registro da ocorrência, afirmou desconhecer qualquer rasura no envelope do cheque e explicou que mandará o material para perícia. "Foi apreendido um objeto de metal, que os PMs alegam que é para segurar os envelopes. Isso aí eu vou mandar para a perícia", afirmou.Três motivos seriam os responsáveis para a migração de criminosos do roubo a banco para o furto de caixa eletrônico. O risco de ser preso é menor. O crime é mais atrativo porque a quantia encontrada nas máquinas em geral é maior do que aquelas roubadas nas agências. E, em caso de prisão, a pena é menor. "Não há necessidade de ter armamento, nem de muita experiência no mundo do crime", disse um delegado paulista.

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