Fogo mata interno e fere dez

Incêndio começou com curto-circuito provocado

Felipe Oda, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

Um jovem de 18 anos do Internato Encosta Norte, unidade da Fundação Casa (antiga Febem), morreu e outros dez ficaram feridos ontem, após internos provocarem um incêndio no local, no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. A vítima, identificada apenas como Marcos, morreu "por ter inalado fumaça em excesso", segundo a Assessoria de Imprensa da fundação.Os feridos foram encaminhados para o Hospital Santa Marcelina por equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, dois adolescentes apresentaram queimaduras de segundo grau no rosto e oito foram internados com intoxicação por terem respirado fumaça. O fogo começou por volta das 12h45. Um interno, ainda não identificado, teria ameaçado se matar colocando fogo em um dos módulos. De acordo com a fundação, ele juntou colchões e os incendiou ao provocar, mexendo nos fios elétricos, um curto-circuito. A técnica, batizada de "capeta", na qual pedaços de papel higiênico molhados são colocados nas extremidades de um fio descascado até que a corrente elétrica produza uma faísca, é utilizada pelos internos para acender cigarros, afirma Julio Alves, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e à Família do Estado de São Paulo. "É preciso averiguar se os adolescentes tinham acesso a isqueiros ou fósforos", afirma Marcos Fuchs, diretor da ONG Conectas Direitos Humanos.O caso foi registrado no 50º DP (Itaim Paulista). A Corregedoria Geral da Fundação Casa determinou a abertura de uma sindicância interna para investigar as causas do incêndio. "O que sabemos é que o tumulto foi entre os adolescentes. Nenhum funcionário foi ameaçado ou ferido. Vamos apurar a finalidade. Pode ter sido uma tentativa de fuga", diz Alves.O Encosta Norte tem quatro quartos, onde dormem cerca de 15 jovens em cada um. A fundação afirma que a unidade abriga 58 jovens, dois a menos em relação à capacidade máxima. Porém, para Alves, a unidade deveria operar com até 40 internos. "O projeto original das unidades limitava o número de internos em 40. A unidade já tem um histórico, com rebeliões, tumultos e fugas. Mas não é das piores."

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