''''Foi como roubar a alma do povo brasileiro''''

Filho de Portinari considera o furto 'uma tragédia' e teme que os ladrões causem dano irreparável à obra

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

21 de dezembro de 2007 | 00h00

Abalado com o furto da obra do pai, o professor João Portinari acredita que o ato, definido por ele como "uma tragédia", possa se tratar de um seqüestro. "Não consigo atinar a motivação, por isso acho possível a hipótese de que nas próximas horas apareça uma demanda pelo resgate da obra. No entanto, não sabemos se essas pessoas já causaram algum dano irreparável à obra ao manusear a tela", afirmou o filho de Portinari. Ele classificou como "fantasiosa" a hipótese de um furto encomendado por algum colecionador . Segundo ele, o quadro O Lavrador de Café era um dos poucos do pintor acessíveis ao público. Diretor do Projeto Portinari na PUC-Rio, o professor criticou a passividade da sociedade diante do furto. "Não sinto a mesma intensidade na revolta das pessoas contra esse crime do que a repulsa com o crime financeiro. Foi como roubar a alma do povo brasileiro e se trata como não fosse algo tão grave assim.""O meu conhecimento sobre os fatos do furto é limitado, mas o considero uma tragédia, porque 95% das 5 mil obras de Portinari estão em coleções particulares e longe dos olhos do público. Além disso, o quadro retrata a história do trabalhador brasileiro e da próprio pintor, que em um poema diz: saí das águas do mar e do cafezal da terra roxa, em referência à fazenda de café onde ele nasceu", afirmou o filho de Portinari.

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