DOUGLAS PINGITURO/BRAZIL PHOTO PRESS
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'Foi como se a gente estivesse morrendo', diz Angélica sobre acidente

Em entrevista ao Jornal Nacional, casal relatou momentos de horror dentro de avião que teve de fazer um pouso forçado

O Estado de S. Paulo

25 Maio 2015 | 21h02

Atualizada às 21h41

SÃO PAULO - Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta segunda-feira, 25, os apresentadores Luciano Huck e Angélica disseram que estão aliviados, mas que passaram momentos assustadores dentro do avião que fez um pouso forçado neste domingo, 24, em uma fazenda no Mato Grosso do Sul. "Foi como se a gente estivesse morrendo", disse Angélica.

Luciano Huck sofreu pequenas fraturas em uma vértebra e Angélica teve lesões musculares. Os três filhos do casal, as babás, o piloto e o copiloto também não se machucaram gravemente e já ganharam alta. Huck disse que a família ter escapado sem ferimentos graves "foi um milagre, um renascimento da família". "Só posso agradecer ao comandante que salvou todos nós". 

"O avião mudou o barulho. Eu olhei e o piloto estava mexendo na bomba de combustível. Olhei o painel e vi que tinha um motor só (funcionando). Nesse momento, essa (Angélica) se desesperou, estava gritando muito. O meu mais velho gritava muito. O Benício estava tenso, quieto. A Angélica gritava e dizia: 'quero que pouse, quero que pouse'", disse Luciano Huck ao Jornal Nacional. 

"Meu filho gritava muito: 'não quero morrer, não quero morrer'. Eu entrei em pânico. Passou na minha cabeça que a gente ia se machucar muito ou morrer. Enquanto (o avião) estava batendo no chão, era um barulho ensurdecedor, mas um silêncio muito grande no coração. Como se a gente estivesse morrendo mesmo", relatou Angélica.

O casal recebeu alta na noite desta segunda-feira do Hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo, onde estava internado. 

O acidente. O voo do casal estava quase no fim, quando uma luz acendeu no painel do Embraer 820-C que transportava os apresentadores, os três filhos do casal, duas babás, piloto e copiloto. Algo estava errado. De acordo com o piloto Osmar Frattini, de 52 anos, o avião deslizou por 450 metros em um pasto. Frattini saiu com um ferimento no rosto. 

Frattini disse ao Estado que houve obstrução na bomba de combustível a cerca de 4,6 mil pés de altitude (cerca de 1,5 mil metros de altura), com a perda de potência no motor esquerdo. Dez segundos depois, o motor direito apresentou uma falha semelhante, porém, voltou a funcionar e operou até cinco minutos antes do impacto.

“Tentei acionar as bombas auxiliares, mas não tive sucesso. O avião foi perdendo altura e eu estava preocupado porque não tinha mais alternativa, já que estávamos próximos da Serra de Maracaju. O Luciano Huck, que entende de aviação, percebeu e perguntou se estávamos com um só motor operando. Eu disse que sim. Perguntou sobre opções e eu falei que haviam ficando para trás. A Angélica começou a gritar que todos iríamos morrer, mas ele acabou acalmando a família”, disse.

Situação. A área do pouso forçado fica na Fazenda Palmeiras, às margens da Rodovia MS-080. Horas antes, o gado que ocupava o lugar havia sido encaminhado a um frigorífico. “O trem de pouso não foi baixado”, explicou o piloto, para que a aeronave não tombasse. A torre de Campo Grande já havia sido avisada da situação do avião. Foi quando surgiu mais um desafio.

“A cinco metros do solo, avistei um lote de vacas. Subi e passei o rebanho. O avião correu 450 metros na grama, bateu em uma curva de nível e virou 90 graus”, contou o piloto, que se machucou na testa – levou sete pontos. A curva foi responsável pelos ferimentos nos oito ocupantes. Este foi o primeiro acidente de Frattini em 31 anos de profissão. Ao sair do avião, ele tirou a camisa ensanguentada para acenar para motoristas que passavam na rodovia, que ajudaram no resgate. 

“Não estou em condições no momento para fazer outros voos. Por enquanto, não vou voar”, disse Frattini. Ele ainda pensa no que “podia ter feito de melhor”, mas acredita que fez o possível “diante da situação”.

Os investigadores da Força Aérea Brasileira (FAB) foram a Campo Grande para apurar o caso. No local do acidente, eles isolaram 100 m² de área. A empresa MS Taxi Aéreo, proprietária da aeronave, informou que acompanha as investigações. O avião tinha certificação válida até junho de 2016. A perspectiva é de que a aeronave seja retirada amanhã do local do acidente. 

Hospital. O casal de apresentadores Angélica e Luciano Huck passou o dia em repouso, fazendo exames. Segundo boletim do Hospital Albert Einstein, os dois tiveram ferimentos leves. Huck fraturou a 11.ª vértebra torácica, mas sem consequências neurológicas.

Já Angélica teve uma “discreta lesão” na musculatura nas regiões do abdome e pélvica. A apresentadora, de acordo com o boletim médico, ainda teve um estiramento muscular “na região da cervical”. Ainda nesta segunda, ela passou por exames complementares. 

À tarde, por meio da assessoria de imprensa da Rede Globo, o casal divulgou nota de agradecimento. “Eu e Angélica estamos apenas aguardando o tempo de voltarmos para casa. É importante também agradecer um monte de gente envolvida ontem, desde o santo homem Wilson, que nos viu da estrada e nos resgatou; todo pessoal da Santa Casa de Campo Grande, que foi de uma gentileza enorme, e todo mundo que nos apoiou na cidade”, escreveu Huck. A apresentadora também se manifestou, agradecendo ao piloto da aeronave, que chamou de “anjo”.

No início da tarde, o apresentador Otavio Mesquita visitou Angélica e Luciano Huck no hospital. Segundo ele, os dois estavam dormindo, deitados um ao lado do outro. “Vi dois anjinhos, um ao lado do outro. Eles estão mais espiritualizados do que já eram.” 

Segundo o apresentador, os dois estavam bem-humorados e felizes por terem conseguido acalmar os três filhos, quando o piloto fez o pouso forçado. “Se o Luciano e a Angélica, eram pessoas de bem, pontos de referência como família, isso vai melhorá-los ainda mais”, afirmou. Ele contou ainda que Huck levantou da cama para abraçá-lo e agradecer a visita. “Foi muito emocionante. É uma fotografia que vai ficar na minha memória.”


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