''''Foi o câncer ou a fumaça que matou?''''

Família de doente que morreu no Natal quer explicações do hospital

Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

28 de dezembro de 2007 | 00h00

Desde o Natal, uma pergunta não sai da cabeça dos parentes de Raimundo Nonato de Azevedo, de 56 anos. "Foi o câncer ou a fumaça que o matou?"O óbito oficial é de quatro horas após o incêndio que atingiu o HC. Seus parentes acreditam que o fogo possa ter agravado a situação do paciente. O instituto nega e, em nota, ressalta que houve falência múltipla de órgãos e infecção. "A hora dele não tinha chego. Meu pai era forte", lamentou a filha, Claudete da Silva Azevedo,de 29 anos. "Três dias depois da cirurgia ele piorou e resistiu. Nosso medo é que, por causa do incêndio, o hospital não assuma a culpa deles na morte de meu pai."Azevedo foi internado no HC no dia 22 de novembro com câncer no esôfago. O tumor foi retirado no dia 4, depois de 13 horas de cirurgia. Complicações no pós-operatório o levaram novamente para a cirurgia, no dia 7. O paciente estava na UTI do 9º andar. Segundo a nota do hospital, seu estado de saúde era grave. Ele respirava com a ajuda de aparelhos, fazia hemodiálise, estava sedado e tomava remédios para controlar a pressão arterial. Por causa da fumaça, Azevedo foi levado à UTI do 4º andar. "Faltou energia e o aparelho que o ajudava a respirar foi desligado", disse a filha. Segundo o HC, na transferência ele foi mantido ventilado e estava acompanhado de médicos. A família quer se reunir com a direção do HC para discutir o caso, mas não pretende processar o hospital. "Só se for comprovada negligência. Dinheiro nenhum trará ele de volta."

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