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'Foi um trauma muito grande', diz mãe de brasileira de 16 anos detida nos EUA

Barrada no aeroporto, Anna Stéfane Radeck está há quase três semanas num abrigo e deve ser liberada nesta quinta; ela ia visitar tios em Orlando

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2016 | 14h30

A adolescente Anna Stéfane Radeck, de 16 anos, que foi barrada no aeroporto de Detroit, nos Estados Unidos, e permanece há quase três semanas em um abrigo, deve ser liberada nesta quinta-feira, 1º, segundo a mãe da jovem, a empresária Liliane de Carvalho Ferreira. A mãe, que também está nos EUA, comprou as passagens de volta para as duas para esta quinta. "Foi um trauma muito grande para ela", contou Liliane ao Estado

O Itamaraty informou que uma audiência ocorreu nesta terça-feira, 30, para decidir o retorno da adolescente ao País. A previsão é de que mãe e filha cheguem no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) por volta das 3 horas desta sexta-feira, 2. 

Segundo o Consulado-Geral do Brasil em Chicago, Anna Stéfane viajou desacompanhada, no dia 10 de agosto, com visto de turista, com destino a Orlando para visitar os tios, que moram na cidade. Desceu no aeroporto de Detroit, em Michigan, onde faria uma conexão, mas foi barrada pelas autoridades americanas e, no mesmo dia, encaminhada para um abrigo em outra cidade, Chicago, em Illinois.

A família relatou que Anna ficou incomunicável por três dias e que o endereço de onde ela está é sigiloso. As autoridades americanas teriam pedido ainda a comprovação da paternidade da jovem, que fez aniversário em 26 de agosto.

De acordo com o pai, Sérgio Ferreira, de 50 anos, a filha contou ter esperado aproximadamente dez horas no aeroporto e que foi encaminhada ao abrigo sob alegação de estar desacompanhada. "Ela tinha toda a documentação. Preenchemos um formulário da Polícia Federal, fomos ao cartório reconhecer firma. Fizemos tudo o que a lei brasileira nos pedia para fazer."

Há 15 dias, a mãe viajou para Chicago para tentar resgatar a menina. Lá, as duas já se encontraram pessoalmente. Mas, segundo o pai, os encontros são cheios de regras "para que ninguém conheça o local do abrigo". As duas se encontram em um prédio diferente do abrigo e, além disso, chegam e saem em horários diferentes. "É isso que nos deixa perplexos e amargurados: não saber onde ela está, não ter nenhum tipo de informação", disse Ferreira. No local onde ficou retida, Anna tem direito a duas ligações semanais de dez minutos e a um encontro por semana com a mãe, de uma hora.

Esta foi a primeira vez que Anna viajou desacompanhada aos Estados Unidos. Mas a família já foi a Orlando várias vezes para visitar os parentes. Agora, Ferreira diz que não pretende nunca mais voltar ao país. "Queremos a saída imediata. Ela não tem nada que desabone. Não tem motivo para que eles a mantenham retida. Estamos dispostos a cancelar o visto e nunca mais pisar nos Estados Unidos de novo. Aquele país não tem mais graça para nós, nada mais nos atrai", disse o pai. "A deportação voluntária, pelo que nos informaram, é o meio mais rápido para a pessoa sair do país. Já pedimos que a nossa advogada proceda nesse sentido."

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