Folhetos contra ´opressão carcerária´ são distribuídos em SP

Moradores do Parque Renato Maia, em Guarulhos, na Grande São Paulo, foram surpreendidos na manhã da última sexta-feira, 23, com diversos panfletos distribuídos pelas casas do bairro. Os folhetos, intitulados "informativo", alertavam sobre a "negligência médica, abuso de poder e opressões por parte das diretorias e funcionários em geral" nos presídios paulistas. Os papéis também traziam protestos contra o mau uso do Código de Processo Penal (CPP) e contra a burocracia jurídica, além de denunciar torturas e assassinatos. De acordo com a reportagem da Rádio Eldorado, os moradores da região se diziam surpresos com a ação dos criminosos fora dos presídios. A distribuição dos panfletos foi ocasionada pela greve branca convocada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) desde o dia 21 de fevereiro. Cerca de 80 das 144 unidades prisionais de São Paulo permaneciam em protesto. Os detentos grevistas se recusam ao trabalho nas oficinas, ao tradicional banho de sol e até a limpeza dos pavilhões. Segundo o último balanço divulgado pela Secretaria de Administração Penitenciária no final da semana, o movimento chegou a atingir 65% dos presídios do Estado, que abrigam aproximadamente 132 mil presidiários. A greve foi convocada por detentos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, que abriga 729 membros da facção criminosa. Crime contra a segurança Essa não é a primeira vez que panfletos como esses são distribuídos nos bairros da região metropolitana de São Paulo. No dia 17 de junho de 2006, quatro jovens foram detidos em Ferraz de Vasconcelos transportando papéis com denúncias de abusos nas cadeias. Com eles foram apreendidos quase quinhentos folhetos, que faziam apologia ao grupo PCC. A Polícia Militar de Barretos também prendeu três homens que colavam cartazes com críticas ao sistema carcerário nas ruas da cidade. O caso aconteceu no dia 16 de agosto de 2006 e um dos presos, Robson da Silva Bastos, de 25 anos, estava preso na penitenciária de Pirajuí e não retornou à prisão por ocasião do indulto do dia dos pais. O bando foi autuado por formação de quadrilha e crime contra a segurança nacional, baseado no artigo 22 da Lei de Segurança do País. Em nota, a SAP disse que só tomou conhecimento do assunto por meio da reportagem da Rádio Eldorado. A secretaria alega que não tem responsabilidade pelo que acontece fora dos presídios do Estado e que a repressão contra esse tipo de crime está a cargo da Secretaria de Segurança Pública.

Agencia Estado,

26 Fevereiro 2007 | 15h51

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.