Folia, só se for na balada

Salões e avenidas lotados de gente fantasiada, lantejoulas, confetes e purpurina por todos os lados, dedinhos em riste, muito samba no pé. Noites e noites regadas a ziriguidum. O universo do carnaval, tão distante das baladas roqueiras e eletrônicas do mundo teen, ainda consegue agradar os ouvidos adolescentes? Os mais novos também caem na folia? Sim, garante Maria Helena Gomes Solfredini, gerente do Departamento Social e Cultural do Clube Pinheiros, que promoveu, no último dia 10, o Grito de Carnaval na Balada Pinheiros, voltado a teens de 12 a 17 anos. ?Tivemos a presença de 2.500 pessoas?, comemorou a organizadora. E não pense que os pais dos adolescentes ajudaram a ?engrossar o caldo?: eles foram barrados. ?Não deixamos nenhum pai entrar. Afinal, tudo o que os adolescentes não querem é ver os pais na balada?, completou Maria Helena. No entanto, para atrair o público mais jovem para a folia, o cardápio musical oferecido nas festas tem mesmo de ser variado. ?Além de samba, pagode e axé, tocamos rock e techno?, admite a gerente. ?Eu até gosto de samba, mas prefiro que também rolem outros ritmos na pista?, confirma a estudante Flavia Grunwald, de 14 anos. ?Curto carnaval porque é uma festa em que todos se fantasiam, ficam diferentes, fazem coisas que fogem do dia-a-dia?, completa a adolescente, que pretende ir à matinê do Clube Pinheiros - direcionado a teens de até 16 anos - amanhã. ?Estou combinando com as minhas amigas.? Igor Yoichi Horikawa, de 17 anos, é outro que garante se divertir com o ziriguidum. Apesar de não freqüentar assiduamente os bailes teens, se diz apreciador da ?cultura do samba?. ?É legal, ouço pagode, samba e um pouco de axé. Não tenho esse preconceito contra a música popular. Fui para Salvador com meus pais há uns dois anos, foi bem divertido.? Claro que a diversão durante a folia do confete não é unanimidade no mundo teen. Há aqueles que não podem nem ouvir falar de carnaval. Para Karen Kasamatsu, de 16 anos, a festa só não é insuportável por causa do feriado. ?Só gosto porque não tenho aulas. Mas samba, pagode, desfiles, essas coisas, nada disso faz o meu estilo. Durante o carnaval, prefiro ficar em casa ou ir a festas ?alternativas? com meus amigos.? O feriado também é a única coisa atraente da data para Yuri Engelberg, de 15, fã de Placebo, New Order e Depeche Mode. ?Tenho este gosto musical por causa do meu pai, que é DJ, e da minha mãe, que é designer. Samba não faz a minha cabeça.?

Agencia Estado,

19 Fevereiro 2007 | 08h38

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