Foragido foi intermediário entre assaltantes do Masp e comprador

Ele dirigia automóvel de luxo, que chamou a atenção de vizinhos de ?cativeiro? em Ferraz de Vasconcelos

Bruno Tavares e Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

11 de janeiro de 2008 | 00h00

A Polícia Civil de São Paulo acredita que o foragido Moisés Manuel de Lima Sobrinho, de 25 anos, é o intermediário entre os assaltantes e o mandante do furto das telas de Picasso e de Portinari levadas do Museu de Arte de São Paulo (Masp) no dia 20. Sobrinho teve prisão preventiva decretada pela Justiça e sua foto foi divulgada ontem de manhã pela Secretaria de Segurança Pública. Os investigadores do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) têm pistas de seu paradeiro, mas não o capturaram até as 23 horas.Segundo o delegado Adilson Marcondes, da 3ª Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio do Deic, Sobrinho teve participação no furto das obras. "É imprescindível prendê-lo e ouvi-lo para esclarecer todos os fatos que antecederam os eventos anteriores ao furto no Masp", disse. Na avaliação do delegado, as investigações poderiam "avançar muito" com o depoimento de Sobrinho. "Há uma possibilidade de que ele fale muito mais que os outros (dois presos)", justificou, evitando dar mais detalhes "para não atrapalhar as investigações". Sem antecedentes criminais, Sobrinho é suspeito de ser o contato com quem encomendou o crime e de ter contratado e coordenado a ação dos dois assaltantes detidos - Francisco Laerton Lopes de Lima, de 33 anos, e Robson de Jesus Jordão, de 32. Ele também foi visto no "cativeiro" das telas, no município de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Era quem guiava o carro de luxo que por várias vezes chamou a atenção de vizinhos do imóvel. Ontem, a 1ª Delegacia Seccional (Centro) encaminhou ao Deic cópia do inquérito que investigava a extorsão contra o museu. A suspeita é de que o autor da carta recebida em 3 de janeiro pelo superintendente do Masp, Fernando Pinho, seja o mandante do assalto. Os criminosos exigiam US$ 10 milhões para devolver as telas. O comunicado, repleto de erros gramaticais e ortográficos, exigia que a instituição desse seqüência às negociações até 15 de janeiro. Os dirigentes deveriam publicar um anúncio cifrado em um jornal do Vale do Paraíba, com a mensagem "Fazenda Água Limpa, que pertenceu a Cândido Portinari. Valor US$ 10 milhões". Um número de celular para os bandidos entrarem em contato deveria vir na seqüência do texto. O bando ameaçava queimar as obras, caso todas as exigências não fossem atendidas. O que intriga os investigadores é que as seis fotografias dos dois quadros prometidas pelos supostos seqüestradores nunca foram enviadas - e eles cessaram os contatos após a prisão de Lima, no dia 27. As apurações da Seccional mostram que a carta chegou ao centro de distribuição dos Correios de Jacareí, no interior do Estado, no dia 28. Foi postada um dia antes em uma das 32 caixas de correio da cidade. Embora não tivesse nome, o endereço do remetente era Avenida Andrômeda, 3.319, em São José dos Campos, cidade vizinha a Jacareí. A polícia constatou que a pista era falsa. O envelope e a carta ainda estão sob perícia do Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD).

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