Sandro Lima/Tribuna Independente
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Foragido há mais de um ano, pai de Eloá é preso em Maceió

Ex-cabo é acusado de integrar organização criminosa de policiais; detenção ocorre após denúncia anônima

Ricardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2009 | 15h10

O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas Everaldo Pereira dos Santos - pai da estudante Eloá, morta a tiros pelo namorado em outubro do ano passado - foi preso nesta segunda-feira, 28, na periferia de Maceió. Everaldo estava foragido desde a morte da filha, em Santo André, quando foi visto pela última vez. Durante as mais de 100 horas em que Eloá esteve em poder de Lindemberg Alves, o pai da garota foi visto quando teve uma crise hipertensão e acabou atendido por uma equipe do Samu. Assim que as imagens foram transmitidas pela televisão alagoana, familiares o reconheceram Santos e a polícia foi avisada.

 

Ele é acusado de integrar a gangue fardada, organização criminosa composta por policiais militares e civis, que durante os anos noventa foi acusada de vários crimes de pistolagem, assaltos, roubos e desmanche de carros.

 

Em novembro deste ano, Everaldo Pereira foi condenado a 33 anos e seis meses de prisão pelos assassinatos do ex-delegado Ricardo Lessa e do seu motorista, Antenor Carlota da Silva, crime ocorrido em 1991. Além de Everaldo, que é conhecido como Amarelo, foi condenado pelos crimes o ex-cabo Cero Felizardo, o Cição. Os dois foram julgados à revelia, durante um mutirão promovido pelo Conselho Nacional de Justiça e realizado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas.

 

Everaldo Pereira foi preso graças a uma denúncia anônima. A polícia ficou sabendo do seu paradeiro e compareceu a uma residência no Conjunto Eustáquio Gomes, na periferia de Maceió, onde o ex-militar estava escondido. Em Santo André, ele usava o nome de Aldo José da Silva.

 

Nesta tarde, Everaldo negou envolvimento com o crime organizado e fez acusações contra o ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, delegado Rubens Quintella, já aposentado. Segundo o ex-cabo, o ex-secretário teria participação na morte de Ricardo Lessa. "Ele (Quintella) e o ex-coronel Manoel Cavalcante estão por trás da morte do doutor Ricardo Lessa", acusou Everaldo, acrescentando que Quintella queria se projetar e chegar ao cargo de secretário.

 

O ex-cabo também negou ter assassinado sua ex-mulher, antes de fugir de Maceió em meados dos anos 90. Quando foi apresentado à imprensa, na sede da Polícia Civil de Alagoas, Everaldo estava com o cabelo comprido e usava bigode. Ele vestia bermuda e camiseta.

 

Everaldo disse que tem medo de ser morto. "Claro que eu posso ser morto a qualquer momento. Um juiz falou para mim que eu tenho apenas 25% de vida", afirmou Everaldo, que estava escondido havia 10 dias em casas de parentes em Maceió.

 

MORTE DE ELOÁ

  

O pai da estudante disse que a morte da filha foi uma tragédia para sua família. "Fui uma coisa inexplicável, que me tirou do sério", afirmou Eloá, negando ter participado de algum crime com Lindemberg na região do ABC paulista, onde morava. "Eu o tinha como um filho", disse Everaldo.

 

De acordo com o diretor-geral adjunto da Polícia Civil de Alagoas, delegado José Edson, Everaldo ainda tentou fugir pulando o muro da vizinha. "Ele disse que já estava em Maceió há cerca de 10 dias e que tinha se escondido em vários lugares, inclusive fora do País", afirmou o delegado, acrescentando que a polícia confirmou que Everaldo esteve na Bolívia.

 

Texto atualizado às 19h15.

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