DANIEL TEIXEIRA / ESTADAO
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63 dos 184 foragidos em Manaus são recapturados; IML libera 14 corpos

Em entrevista nesta quarta, representantes do governo do AM voltaram a tratar a morte de 60 presos como 'inevitáveis' e atribuíram à briga de facções

Bruno Tadeu, Especial para o Estado

04 Janeiro 2017 | 20h34
Atualizado 05 Janeiro 2017 | 08h36

MANAUS - Sessenta e três presos, dos 184 foragidos após o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, foram recapturados, segundo informações da Secretaria da Segurança Pública do Amazonas. No Instituto Médico Legal (IML), 38 dos 60 mortos entre domingo e segunda-feira já foram identificados e 14 corpos foram liberados. Além disso, 279 detentos foram transferidos para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus. 

Durante entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, 4, representantes da Segurança Pública do Estado do Amazonas rebateram as alegações do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, de que a Secretaria de Segurança "sabia que poderia ocorrer uma fuga" de detentos, no domingo. A pasta voltou a tratar a morte dos 60 presidiários como inevitáveis. "Foi uma briga entre facções", repetiram várias vezes as autoridades presentes na entrevista.

"Foi desenvolvido um plano de contingência. É claro que o sistema de inteligência sabia da possibilidade de confusão no sistema prisional, mas isso não implica sucesso ou não de evitarmos ou não as fugas", afirmou o diretor do Centro Integrado de Comando e Controle do Amazonas, coronel Oliveira Filho.

O secretário de Segurança, Sérgio Fontes, informou que pelo menos nove túneis foram descobertos em 2016, evitando outras fugas em massa, e defendeu que as ações preventivas do comitê local evitaram mais mortes no confronto entre detentos das facções Família do Norte (FDN) e Primeiro Comando da Capital (PCC). 

"Contingência não é prevenção. Contingência é depois do fato acontecer. Esse plano evitou que mais ocorrências acontecessem dentro dos presídios. Os presos tinham um plano de fazer 'lombrar' e de fugir. Eles não mudaram isso e continuam pensando. Me aponte um presídio no Brasil onde os presos não pensem em fugir ou fazer rebelião", declarou Oliveira Filho.

Funk. Na tarde desta quarta-feira, um funk supostamente de autoria de membros da FDN circulou pelas redes sociais e ganhou a atenção da mídia local. A música exalta a parceria da facção com o Comando Vermelho (CV) e descreve a rivalidade com o PCC.

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