Força divide soldado por facção dominante

O caso da Providência tem como pano de fundo o contato, direto ou não, de militares com traficantes. Os recrutas, muitos criados em comunidades sob o jugo de criminosos, chegam aos quartéis com referências simbólicas que os associam a facções, diz o antropólogo Luiz Eduardo Soares. Ex-secretário nacional de Segurança Pública, ele conta que foi informado por fonte do Exército de que, em unidades do Rio, existe a separação de jovens nos alojamentos de acordo com a facção criminosa que domina as comunidades de onde vieram. Seria prevenção contra conflitos.Soares não revela a fonte, mas comenta que a determinação - semelhante à que vigora há anos em unidades prisionais do Estado - parte dos superiores. A Assessoria de Imprensa do Comando Militar do Leste afirmou que "tal informação carece de fundamento". "O simples fato de crescerem nesses lugares gera rivalidade", diz Soares, que considera a questão delicada. Em especial, quando são recrutados para atuar em áreas conflagradas. "Isso pode influenciar a forma como vão patrulhar. No caso da Providência, um dos militares envolvidos costumava hostilizar pessoas da comunidade em função da diferença de identidade." Para ele, está claro que havia contato prévio dos acusados com traficantes da Mineira. Soares defende que "um soldado com essa mentalidade é um problema. O recruta tem de ser formado por princípios ligados ao Estado Democrático de Direito, ao respeito aos direitos humanos, à defesa nacional."

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