Força fez alerta sobre rivalidade entre morros

Inteligência citou PMs corrompidos por traficantes para dominar a favela

Marcelo Auler, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 00h00

Desde novembro - antes de ser deflagrada a Operação Cimento Social no Morro da Providência, no centro do Rio -, o Exército sabia da rivalidade entre os traficantes daquela comunidade (do Comando Vermelho) e os do Morro da Mineira, no Rio Comprido, para onde os três jovens presos no sábado foram levados e acabaram sendo executados. A Mineira é uma das favelas que compõem o Complexo de São Carlos, onde domina a facção Amigos dos Amigos (ADA). Acompanhe repercussão do assassinato dos jovensNo Relatório de Inteligência, preparado em novembro pela 9ª Brigada de Infantaria Motorizada - responsável pela segurança do projeto -, já se falava da "suspeita de uma possível tentativa de tomada da comunidade pelos traficantes do Complexo de São Carlos (ADA)". Apesar de o relatório dizer que não havia nada de concreto, a inteligência levantava a possibilidade de a tomada ser feita de forma indireta, com a ajuda de policiais militares. O relato fala que traficantes do Complexo de São Carlos estariam oferecendo um montante considerável para corromper PMs. O objetivo era reforçar a repressão no Morro da Providência para "enfraquecer o tráfico local, abrindo caminho para a tomada da comunidade pela ADA", como descreve o relatório. Em 2006, segundo o relatório, o traficante Pablo Pierre Mendes de Andrade foi morto a mando do chefe do tráfico da Providência, Evanilson Marques da Silva, o "Dão" - que estava preso -, por tentar deixar o Comando Vermelho e aliar-se à ADA. O tráfico na Providência contaria com até cem homens, entre eles um cabo, um soldado (ambos desertores) e um ex-soldado do Exército. A quadrilha disporia de 20 fuzis, uma metralhadora ponto 30 e dois lança-rojões. O faturamento mensal com a venda de drogas, principalmente no terminal de ônibus Américo Fontenelle e na Central do Brasil, foi estimado em R$ 180 mil com a venda de 10 quilos de cocaína e 40 quilos de maconha. AÇÕES SOCIAISO Exército preparou documento que recomendava uma Ação Cívico Social, para levar aos moradores da comunidade atendimento médico e dentário. Ela ocorreu nos dias 18 e 19 de fevereiro, mas o Comando Militar do Leste (CML) não respondeu ao pedido de informações sobre o número de atendimentos realizados. Havia ainda, nos preparativos da Operação Cimento Social, a preocupação de os militares realizarem operações psicológicas, para "manter a credibilidade do Exército, ressaltar o profissionalismo de seus recursos humanos, ressaltar a excelência do preparo da tropa, ressaltar o Exército como o cimento capaz de restaurar fissuras do tecido social do Rio, demonstrar a eficiência, a eficácia e a efetividade pela divulgação dos resultados obtidos e orientar a opinião pública de forma favorável à atuação do Exército". O CML também não respondeu se elas foram realizadas.

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