Força Nacional atua na pacificação de comunidade no Rio

Soldados ocuparam a favela de Santo Amaro, na zona sul, em operação contra o tráfico

Marcelo Gomes,

18 de maio de 2012 | 15h18

RIO DE JANEIRO - Cento e cinquenta agentes da Força Nacional de Segurança (FNS) ocuparam, no fim da manhã desta sexta-feira, o Morro Santo Amaro, no bairro do Catete, na Zona Sul do Rio, para dar início ao plano "Crack, é possível vencer" na cidade. Lançado pela presidente Dilma Rousseff em dezembro do ano passado, o plano já atua nos estados de Alagoas, Pernambuco e do Rio Grande do Sul. Porém, o Rio foi o primeiro Estado a requisitar a presença da FNS. "Inicialmente o prazo de permanência da força será de 180 dias, mas poderá ser prorrogado o tempo que for necessário", garantiu Regina Miki, secretária Nacional de Segurança Pública.

 

A partir de agora, os policiais da FNS vão permanecer 24 horas por dia na comunidade (até então dominada pelo tráfico de drogas) para dar segurança aos funcionários da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) que vão oferecer tratamento para os dependentes de crack e seus familiares.

Cerca de 50 policiais civis e militares foram os primeiros a chegar à favela, por volta das 5h30m. A comunidade foi ocupada em 15 minutos, e não houve resistência dos traficantes. Os agentes encontraram um terreno baldio, à beira de uma encosta íngreme, que foi transformado numa cracolândia há cerca de quatro anos, segundo moradores. Três dependentes foram detidos no local, ainda de madrugada. Além de muito lixo, garis retiraram do terreno barracas, colchões, sofás , roupas, armários e mesas improvisados, espelhos e até um quadro de Jesus Cristo.

Localizado a poucos metros de uma delegacia da Polícia Civil e do Museu do Catete, que foi a sede da Presidência da República quando o Rio era a capital federal, o Morro Santo Amaro foi escolhido por ser um ponto de distribuição de drogas para toda a Zona Sul e o bairro boêmio da Lapa. "O Santo Amaro tem uma característica diferente das outras 11 cracolândias identificadas no Rio. Há poucos consumidores na favela. A maioria compra a droga e vai usá-la em outros locais, como o Aterro do Flamengo, o Catete, a Glória e o Largo do Machado. Então, se houver a paralisação da venda de crack, rapidamente vamos cessar com esse consumo espalhado de crack pela cidade", destacou o secretário Municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem.

Dois contêineres foram instalados no alto do morro para abrigar os agentes da FNS. Um terceiro contêiner ficará na parte baixa da favela, onde trabalharão os assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras e educadores da SMAS. Além de garantir tratamento a dependentes químicos, os agentes vão cadastrar moradores no Bolsa Família, e encaminhá-los a serviços de saúde e educação.

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