Ryennison Souza/WhatsApp/Reprodução/Estadão
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Força Nacional chega a Natal para reforçar segurança em presídios

Superlotado, sistema penitenciário do Rio Grande do Norte está em situação de calamidade; em vídeo, detentos fazem reivindicações 

O Estado de S. Paulo

17 Março 2015 | 13h11

NATAL - Após uma série de revoltas em nove presídios no Rio Grande do Norte, o governo estadual pediu auxílio de tropas da Força Nacional, como forma de reforçar a segurança nas unidades onde ocorreram revoltas. Na manhã desta terça-feira, 17, chegaram 79 homens, mas o contingente total esperado é de 300 - somente nesta terça-feira deverão chegar cerca de 200.

O pedido do reforço da Força Nacional foi feito pelo governador Robinson Farias (PSD).

A revolta nos presídios no Rio Grande do Norte começaram nesta semana. Na manhã desta terça-feira, duas das nove unidades prisionais ainda apresentavam motins de detentos: a Desembargador Francisco Pereira da Nóbrega e o Centro de Detenção Provisória.

Dobro da capacidade. A população carcerária do Rio Grande do Norte é mais de duas vezes maior do que a atual capacidade das unidades prisionais instaladas no Estado. Para os cerca de 7,7 mil presos, há 3,7 mil vagas, segundo dados da Justiça potiguar.

O sistema penitenciário do Estado atravessa uma crise com rebeliões deflagradas desde o fim de semana em presídios da Região Metropolitana de Natal e também no interior. 

O juiz da Vara de Execuções Penais de Natal, Henrique Baltazar Vilar dos Santos, responsável por inspeções judiciais em unidades da Grande Natal, expressou sua preocupação em entrevista ao Estado na manhã desta terça-feira, 17.

"Tenho avisado há muito tempo que isso terminaria acontecendo. Temos uma situação de superpopulação e os presos fazem exigências corretas. Agora, as organizações criminosas aproveitam a oportunidade para demonstrar força", disse o juiz.

Segundo o magistrado, a situação foi controlada em alguns presídios, mas ainda demanda atenção. "O governo controla em um presídio e a revolta começa em outro. Se não for feito nada, a situação vai começar novamente", disse.

Ele relatou ainda que um preso foi esfaqueado na Penitenciária de Alcaçuz, a maior do Estado, mas a chegada do socorro médico está sendo impedida por parte de outros detentos do local.

Vídeo. Em um vídeo publicado nas redes sociais, presos de Alcaçuz listam reivindicações e mostram a destruição dentro dos pavilhões. Entre as demandas dos detentos, está a saída da diretora de Alcaçuz, a agente penitenciário Dinorá Simas. 

Na mensagem lida pelos internos encapuzados com a camisa branca que compõe o uniforme da unidade, eles dizem ainda que estariam sendo alvos de maus-tratos e pedem o cumprimento dos direitos de progressão de regime.
 
Durante a gravação, os detentos citam uma suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa paulista que atua dentro e fora dos presídio, e avisam: "Todas as cadeias do RN vão derrubar as grades".

O Estado decretou situação de calamidade em virtude das rebeliões e solicitou ao Ministério da Justiça auxílio da Força Nacional de Segurança. Na noite desta segunda-feira, cinco ônibus foram queimados em pontos da Região Metropolitana de Natal e a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social apura a conexão dos incêndios com os motins./ANNA RUTH DANTAS, ESPECIAL PARA O ESTADO, E MARCO ANTÔNIO CARVALHO

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