James Tavares/Secom
James Tavares/Secom

Força Nacional chega a Santa Catarina para megatransferência

Estado não detalhou o que os agentes vão fazer, mas eles devem atuar na transferência de presos

Bruno Paes Manso, Enviado especial,

15 Fevereiro 2013 | 23h00

FLORIANÓPOLIS - Depois de 15 dias e 100 ataques criminosos a ônibus, bases policiais, carros particulares, entre outros alvos em 30 cidades de Santa Catarina, a Força Nacional de Segurança (FNS) chegou na tarde desta sexta-feira, 15, a Florianópolis para tentar ajudar a diminuir a sensação de insegurança nas ruas e a ação do crime organizado.

O governo do Estado não quis afirmar o número de agentes enviados pela União. Mas a expectativa é de que os homens da FNS ajudem a dar apoio à transferência para os presídios federais de integrantes do Primeiro Grupo Catarinense (PGC), grupo acusado de comandar os ataques de dentro dos presídios. A ação atingiria detentos localizados em diferentes penitenciárias do Estado, mas principalmente aqueles que se concentram na Penitenciária de Segurança Máxima de São Pedro de Alcântara, onde fica a cúpula da facção.

Segundo fontes do governo estadual, deve ser a maior operação de transferência para presídios federais da história brasileira. Os resultados parciais da operação serão divulgados hoje de manhã pelo governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo.

Com a chegada do reforço, a expectativa é que a cidade volte à rotina, que acabou sendo alterada por causa dos ataques criminosos. Em Florianópolis, há cerca de dez dias, diminuiu drasticamente a circulação de ônibus nas chamadas "horas escuras", antes do dia amanhecer e depois de escurecer.

Motoristas e cobradores teme ser vítimas de atentados. Para se proteger, muitos estão evitando usar cinto de segurança para não ficar presos em incêndio. Já os cobradores, nos pontos mais arriscados do trajeto, ficam sentados em bancos comuns para não serem identificados. "Conheço gente que se queimou e por isso parei de usar cinto. Além disso, em vez de sair às 23h, que era meu horário, paro de trabalhar às 20h", conta o motorista Valcinei Manuel de Matos, da Viação Biguaçu.

Por causa da diminuição do número de ônibus, os comerciantes estão fechando suas lojas até duas horas mais cedo e abrindo mais tarde. Também diminuiu a quantidade de clientes no comércio e os lojistas estimam que a diminuição de vendas alcançou entre 15% a 30%.A redução de transporte coletivo levou escolas a adiarem o retorno às aulas. Ontem à noite, não houve aulas nas escolas de Florianópolis. "Liberamos os funcionários às 17h30 para que eles pudessem voltar para casa. Para abrir no horário, às 7 horas, vamos buscá-los de moto ou carro. Para piorar, o movimento reduziu em 50%", diz Cristiane dos Santos, que trabalha Açougue Aurino, no Mercado Municipal, um dos principais pontos turísticos da cidade.

A chegada dos homens da Força Nacional, no entanto, já permitiu boas notícias para o cotidiano dos catarinenses. Motoristas e cobradores aceitaram na tarde de ontem voltar a trabalhar parcialmente até às 23h por causa levaram motoristas e governo estadual de volta a mesa para encontrar uma solução para a segurada escolta de 80 carros oferecida pela polícia militar.

Na quinta-feira, o Sindicato dos Trabalhadores de Transporte de Florianópolis e Região (Sintraturb), havia oficializado que os ônibus circulariam somente entre às 7 e as 19 h porque os motoristas consideraram pequena a oferta de 20 carros de escolta do governo. "Houve avanços e conseguimos o que queríamos, que era fazer o Governo se mexer para garantir segurança aos profissionais e à população. Esperamos que a situação se normalize", afirmou Dionísio Linder, secretário do Sintraurb.

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