Felipe Frazão
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Força Nacional e PF embarcam para conter onda de violência no Ceará

Desde quarta, Estado teve mais de 50 atos contra ônibus, prédios públicos e bancos; insegurança fez comércio de rua fechar mais cedo e coletivos circularem com escolta na capital

Redação, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2019 | 14h40

Após nova noite de terror nas ruas do Ceará, com ataques a veículos, prédios públicos e agências bancárias, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou nesta sexta-feira, 4, o envio de 300 agentes da Força Nacional ao Estado. No dia anterior, ele havia negado o deslocamento imediato da tropa. Foram detidos 50 suspeitos por ligação com os crimes – são pelo menos 58 crimes entre a madrugada de quarta-feira e a tarde desta sexta. Um suspeito foi morto em confronto com a PM. 

Trezentos homens da Força Nacional de Segurança foram deslocados nesta sexta e já estarão disponíveis a partir deste sábado, 5. Além da tropa, que vai ficar 30 dias no Ceará, serão enviadas 30 viaturas. Já o governo estadual empossou nesta sexta 373 novos policiais militares, que vão reforçar o patrulhamento nas ruas e 34 policiais rodoviários federais, nas BRs. Outro reforço veio do governo baiano, que mandou 100 PMs.

Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, general Guilherme Theophilo, não houve recuo do governo federal, que na noite anterior disse que só enviaria tropas em caso de “deterioração” na segurança. Estava sendo feito, disse ele, um estudo sobre o quadro de violência no local. “Não houve recuo nem demora”, afirmou Theophilo, candidato derrotado pelo PSDB ao governo cearense na última eleição. 

O presidente Jair Bolsonaro negou que o não envio imediato de tropas pudesse estar relacionado ao fato de o governador do Ceará, Camilo Santana, ser do PT. “Jamais faremos oposição ao povo de qualquer Estado.”

Segundo o governo cearense, as investigações apontam que as ordens dos ataques partiram das facções Comando Vermelho e da Guardiões do Estado, que estavam em conflito até a semana passada, mas tentam pressionar o Estado. Os crimes aconteceram um dia após o secretário da recém-criada pasta de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, ter dito que não reconhecia facções e que não iria mais separar presos de acordo com a ligação com esses grupos. 

O governo cearense também enviou equipes de policiais civis para dentro da Casa de Privação Provisória de Liberdade 3, na Grande Fortaleza. No total, 250 detentos devem ser autuados por envolvimento por crimes de motim e desobediência.

Medo

Nesta sexta, os alvos se espalharam da Grande Fortaleza para o interior. Houve ataques a prédios públicos, como a prefeitura de Maracanaú, na região metropolitana, agências bancárias e a tentativa de explosão de um viaduto. Mais de 40 veículos – carros, ônibus, caminhões e até trator – foram queimados. Os bandidos têm usado galões de combustível e coquetéis molotov para cometer os crimes. 

Em Fortaleza, o comércio de rua fechou nesta sexta até duas horas mais cedo. Dois dos terminais mais movimentados da capital também não funcionaram à tarde e coletivos circulavam sob escolta policial. “Tenho filhos pequenos em casa, em área perigosa. Uma hora dessas estão sozinhos, porque já chegaram da escola e estou aqui sem saber que horas vou”, reclamou a manicure Ana Freire, após não conseguir embarcar no ônibus por excesso de passageiros na Avenida Padre Antônio Tomás. / BRENO PIRES, FELIPE FRAZÃO, JÚLIA LINDNER, MÁRCIA FEITOSA, ESPECIAL PARA O ESTADO 

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