Força Nacional faz patrulha nas estradas do Rio de Janeiro

A maior parte dos motoristas parados pela Força Nacional de Segurança (FNS) nas estradas do Rio de Janeiro não se importou de ser abordado pelos soldados, que começaram a patrulhar as divisas e rodovias do Estado no sábado. Baterista da banda Titãs, o músico Charles Gavin, teve o carro revistado na RJ 157, quando seguia para a Serra da Bocaina, na companhia da mulher e de um amigo.Obrigado a saltar do veículo, Gavin foi revistado, com as mãos no alto do automóvel. "Fiquei assustado, porque eles chegam com a arma na mão. Mas do jeito que as coisas estão, especialmente no Rio, tem que ser assim mesmo." Tudo acabou bem: o militar que o abordou acabou sorrindo, pedindo um autógrafo e Gavin seguiu viagem. O patrulhamento das rotas alternativas foi montado porque se presume que os criminosos estejam cientes da presença da Força nas estradas maiores.Com o início da Operação Divisa Integrada, nas estradas que ligam o Rio aos Estados da região Sudeste, a FNS passará a focar também nas rotas alternativas usadas por criminosos para transportar armas, drogas e carga roubada. Essas vias já são conhecidas pela Polícia Rodoviária Federal e pela Secretaria de Segurança Pública, que, agora, estão compartilhando os dados com a tropa. O objetivo é pegar os criminosos de surpresa.Rodovias estaduais fazem parte das rotas dos bandidos e já estão sendo patrulhadas. No sábado, 40 integrantes baseados em Barra Mansa, na região do Médio Paraíba, deslocaram-se não só à Via Dutra, que leva a São Paulo, mas também à RJ 155, que liga a cidade a Angra dos Reis, e à RJ 157, que segue para São Paulo.Como fizeram no sábado na Dutra e em outros 19 pontos do Estado, os soldados revistaram automóveis e ônibus. A operação, iniciada por volta das 15 horas, deveria ser finalizada somente à noite.Turnos alternadosO comando da Força se preocupa também em colocar os integrantes para atuar em horários diferentes a cada dia. "Estamos fazendo turnos alternados, para que não se saiba onde estamos", explicou o comandante da Força, coronel Aurélio Ferreira Rodrigues.O delegado Victor Carvalho, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, lembra que, apesar da utilização das vias vicinais - incluindo também os caminhos por dentro das cidades que ficam às margens das rodovias, exemplo de Barra Mansa -, ainda são apreendidas grandes quantidades de drogas em pistas como as da Dutra.Em novembro, foi realizada a maior apreensão do ano de 2006: 3,5 toneladas de drogas foram encontradas por agentes da DRE num caminhão na altura de Volta Redonda, no sentido Rio - a cerca de 50 quilômetros do posto da PRF que serviu de base para os integrantes da Força no sábado. Trazida do Paraguai, a droga, como de costume, estava embaixo de sacos de farinha. A apreensão foi precedida de um trabalho do setor de inteligência da PF. Quatro pessoas foram presas.O delegado explicou que, normalmente, grandes carregamentos como aquele não são trazidos sem a presença de "batedores", criminosos que vão antes do caminhão na estrada para checar se o caminho está liberado ou se há barreiras policiais. As vias alternativas são usadas, segundo Carvalho, quando os bloqueios são avistados. "O `batedor´ dá orientações pelo telefone e desvia o carregamento".Carvalho acredita que patrulhar as rotas alternativas é importante, porque a quantidade de veículos que por elas trafegam é muito menor, e a possibilidade de se conseguir interceptar bandidos, portanto, bem maior. Segundo ele, em geral o ponto de encontro com o receptador é na chegada ao Rio. É ele que irá levar o carregamento até os traficantes nas favelas, onde os caminhões são descarregados.ApreensõesSubsecretário de Planejamento e Integração Operacional e coordenador da operação Divisa Integrada, o delegado Roberto Sá acredita que, nestes primeiros dias, não deverão ocorrer grandes apreensões. "Um aspecto importante da Operação Divisa Integrada não é o volume de drogas e armas apreendidas. E é natural que num primeiro momento não ocorram grandes apreensões pois pode haver um refluxo nas rotas do tráfico", afirmou. "O fundamental é montar uma barreira nas estradas para mostrar que o Estado está presente, fazendo uma ação de controle".A Força participa da operação Divisa Integrada, também com a participação da Polícia Militar e de órgãos estaduais e federais, com 170 militares. Cerca de 200 integrantes também trazidos ao Rio continuam na capital e poderão ser convocados a qualquer momento para entrar em ação na Região Metropolitana ou mesmo reforçar o esquema nas divisas. Eles poderão ser mobilizados para a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Linha Amarela nos próximos dias.

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