MAB/Divulgação
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Força-tarefa prende fazendeiro suspeito de mandar matar líder do MAB e mais 5 no Pará

O preso, Fernando Pereira Rosa Filho, é acusado de ter ordenado duas chacinas em que as seis pessoas morreram, no último fim de semana, na região de Tucuruí

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

28 de março de 2019 | 14h48

SOROCABA – Uma força-tarefa da Polícia Civil prendeu um fazendeiro suspeito de ser o mandante do assassinato da líder rural Dilma Ferreira Silva, coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e de outras cinco pessoas no interior do Pará. O preso, Fernando Pereira Rosa Filho, de 43 anos, é acusado de ter ordenado duas chacinas em que as seis pessoas morreram, no último fim de semana, na região de Tucuruí, sudeste paraense. Também foi presa uma mulher envolvida nos crimes. Os quatro executores, todos filhos dela, estão foragidos e são procurados.

O primeiro massacre aconteceu na última sexta-feira, 22, no assentamento Salvador Allende, entre Tucuruí e Baião, e vitimou Dilma, o marido dela, Claudionor Silva, e um amigo da família, Hilton Lopes. Na segunda chacina, cometida no último domingo, 24, três pessoas que trabalhavam para o fazendeiro foram assassinadas e tiveram os corpos carbonizados numa fazenda dele, na zona rural de Baião.

Rosa Filho foi preso na terça-feira, 26, em Tucuruí, após ter um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. Nesta quarta-feira, 27, a polícia paraense prendeu Maria Alice Francisca Alves, mãe de quatro homens apontados como executores das seis mortes. Com ela, foram apreendidos objetos roubados da casa de Dilma. Conforme a investigação, Dilma e os dois homens foram amarrados, amordaçados e torturados antes de serem mortos com golpes de faca. Segundo a polícia, o fazendeiro mandou matar a líder rural para ocupar parte das terras do assentamento.

Os três trabalhadores rurais, os caseiros Raimundo de Jesus Ferreira e Marlete da Silva Oliveira, e o tratorista Venilson da Silva Santos, foram mortos porque, supostamente, pretendiam denunciar o fazendeiro à Justiça do Trabalho por irregularidades trabalhistas. Os executores do crime, os irmãos Alan Alves, Cosme Francisco Alves, Glaucimar Francisco Alves, e Marlon Alves, tiveram as prisões decretadas, mas estão foragidos.

Outros crimes

Conforme a Secretaria da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), o fazendeiro também é acusado de diversos crimes na região sudeste do Pará, como envolvimento com tráfico de drogas, agiotagem, receptação, roubo a banco, homicídio, tentativa de homicídio e grilagem de terras.

O trabalho de investigação mostrou que 'Fernandinho', como era conhecido, construiu uma pista de pouso de aviões clandestina em sua fazenda e não queria ser incomodado pelos vizinhos ligados a movimentos sociais. A pista seria usado para o pouco de aeronaves de traficantes de drogas e ele temia também ser denunciado pelos funcionários.

Com as provas coletadas, a equipe da Polícia Civil comprovou, ainda, que Fernando Filho é responsável pela contratação irregular de funcionários para a fazenda onde foram mortas as três pessoas. Os investigadores comprovaram que o acusado teve contato pessoal com os executores antes, durante e depois dos assassinatos.

Dois dos quatro irmãos tinham passagens pela polícia. Glauciomar teve mandado de prisão preventiva expedido pela Comarca de Tucuruí por homicídio cometido em 2015. Marlon é foragido do sistema penitenciário, onde cumpria pena por homicídio. Os outros irmãos também são apontados como perigosos.

As ordens de prisão foram expedidas pelo juiz Weber Lacerda Gonçalves, titular da Comarca. As buscas pelos foragidos prosseguem nos municípios de Tucuruí, Baião e Novo Repartimento. Até a tarde desta quinta-feira, 28, o fazendeiro Fernando e Maria Alice não tinham advogados constituídos.

Massacres

Os dois massacres são os primeiros registrados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), órgão ligado à Igreja Católica, em 2019. Com eles, o número de massacres no campo registrado pela CPT de 1985 a 2019 sobre para 47, com 230 vítimas. No caso das duas chacinas, as mortes estão relacionadas à grilagem de terras e ao trabalho rural. A Pastoral da Terra registra como massacre quando em um conflito, no mesmo dia, são assassinadas três ou mais pessoas.

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