Douglas Magno/AFP
Douglas Magno/AFP

Força-tarefa que investiga tragédia em Brumadinho recomenda afastamento de diretoria da Vale

Documento sugere afastamento imediato do presidente da empresa, Fabio Schvartsman, e outros membros da cúpula

Leonardo Augusto, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2019 | 14h15

Integrantes da força-tarefa que investiga o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho recomendaram à mineradora o afastamento imediato do presidente da empresa, Fabio Schvartsman e de outros membros da cúpula da companhia. Um documento com o pedido, assinado por representantes do Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual de Minas Gerais (MPMG) e Polícia Federal foi entregue ontem, 1, a advogados da empresa.

A força-tarefa pede ainda que empregados não compartilhem nenhuma informação profissional com as pessoas cuja saída da Vale foi recomendada. Também integram o grupo, além do presidente, o diretor-executivo de ferrosos e carvão, Gerd Peter Poppinga, o diretor de planejamento, Lúcio Flávio Gallon Cavalli, o diretor de operações do corredor sudeste, Silmar Magalhães Silva.

Os três, e também o diretor-executivo de finanças e relações com investidores da Vale, pediram nesta semana habeas corpus preventivo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). As medidas foram negadas. Conforme a recomendação, a Vale tem 10 dias úteis para informar se afastará ou não sua cúpula.

Em 15 de fevereiro, integrantes da força-tarefa que apura o rompimento da barragem fizeram busca e apreensão na sede da Vale no Rio de Janeiro. À época, o promotor Leandro Wili, responsável por cumprir o mandado disse que representantes do MP permaneceram por cerca de três horas na empresa. O objetivo foi recolher documentos do Conselho de Administrativo da mineradora. Foram apreendidos documentos eletrônicos, atas de reuniões e um notebook da secretaria do Conselho de Administração.

Em nota, a Vale afirmou que "coopera permanentemente com as autoridades encarregadas da investigação, fornecendo absolutamente tudo que lhe é demandado para instruir os procedimentos investigatórios em curso, tendo seus executivos e funcionários se colocado à disposição voluntariamente para prestarem depoimentos com o firme objetivo de auxiliar no esclarecimento das causas do lamentável rompimento da Barragem de Feijão. As reportadas recomendações conjuntas da Força Tarefa e Polícia Federal foram encaminhadas ao Conselho de Administração da companhia e serão analisadas oportunamente pelo colegiado, dentro do prazo estabelecido".

A barragem B1 da mina do córrego do Feijoão se rompeu no dia 25 de janeiro. Segundo a última atualização da Defesa Civil, a tragédia deixou 186 mortos identificados e outras 122 pessoas desaparecidas.

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