Forças Armadas destacam 57 mil homens para a Copa do Mundo

Responsáveis pelos setores estratégicos, os militares estarão no entorno de centrais de energia, torres de transmissão, no céu e no mar

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2014 | 19h43

BRASÍLIA - Até 57 mil homens das Forças Armadas estarão envolvidos diretamente na segurança da Copa do Mundo, em junho. Mas, ao contrário do que se imagina, brasileiros e estrangeiros não verão soldados e tanques nas ruas das cidades-sede. Responsáveis pelos setores estratégicos, os militares estarão no entorno de centrais de energia, torres de transmissão, no céu e no mar.

O plano de segurança, que será finalizado até abril, foi dividido em duas partes: segurança pública e defesa. Na primeira parte, as polícias civis e militares dos Estados, a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança serão responsáveis por controlar estádios, centro de treinamento, portos e aeroportos, hotéis e delegações, pontos turísticos e locais de exibição pública. O delegado da Polícia Federal Andrei Passos Rodrigues, secretário extraordinário para Grandes Eventos, afirma que 100 mil homens da segurança pública poderão estar disponíveis.

Já as Forças Armadas não serão vistas patrulhando cidades - a menos que algo fora do normal ocorra. "O uso das Forças Armadas só acontecerá com o pedido dos governadores", afirmou o General José Carlos de Nardi, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. Um comitê formado por representantes dos ministérios da Defesa e da Justiça e da Casa Civil vai analisar, em cada caso, a real necessidade de convocar o Exército, já que o plano de segurança de cada Estado, incluindo o número de homens, também está integrado no planejamento nacional.

Ainda assim, a estratégia que está sendo finalizada prevê que Estados que tenham uma força de segurança menor possam receber mais militares. São Paulo, por exemplo, tem o jogo de abertura e 15 centros de treinamento que receberão delegações. Ao mesmo tempo, tem 45 mil policiais militares, a maior força do País, o que possivelmente não justifica uma presença maciça dos militares.

As Forças Armadas tem, hoje, 57 mil homens treinados para serem usados na segurança de pontos estratégicos na Copa. Serão utilizadas ainda 20 navios e outras 60 embarcações pequenas para patrulhar o litoral e também os rios nas cidades-sede, especialmente aquelas em que eles ficam muito próximos dos estádios, como Cuiabá e Porto Alegre. Nos aeroportos ficarão atiradores de elite da Aeronáutica, mas fora da vista da população em geral.

Espaço aéreo. O controle aéreo será feito por dez aviões em cada cidade durante os jogos, além de um número não definido de helicópteros. Também serão usados aviões sem piloto, os drones, para sobrevoarem os estádios em dias de jogos. Durante todo esse período, o espaço aéreo sobre a cidade onde está acontecendo a partida ficará limitado e, sobre os estádios, fechado. Nem mesmo helicópteros da Fifa ou das redes de tevê poderão fazer sobrevoos.

Em cada uma das 12 cidades-sede haverá ainda uma "reserva de contingência", em torno de 2 mil soldados, que podem ser chamados em caso de necessidade. "Pode ser, por exemplo, uma cidade em que há um fluxo maior de pessoas que esperávamos", explicou o general Jamil Megid coordenador das Forças Armadas para a Copa.

Um outro grupo, de cerca de 5 mil soldados, será uma reserva técnica do comando, no caso de uma necessidade ainda maior. "Nosso limite é, na verdade, 250 mil homens, o que temos em ação nas Forças Armadas e que podem ser chamados em caso extremo. Mas esses 57 mil são os que receberam treinamento específico", disse o general.

Durante a Copa das Confederações, no ano passado, foram usados 21 mil militares em seis sedes. O número agora, mais de duas vezes e meia maior, se justifica não apenas pelo número de sedes ser o dobro, mas porque se espera que o fluxo de pessoas seja muito maior.

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