Valter Campanato/Agência Brasil - 24/4/2019
Valter Campanato/Agência Brasil - 24/4/2019

‘Mula qualificada’, diz Mourão sobre militar preso com 39 kg de cocaína

Sargento embarcaria no voo de volta do presidente; prisão do militar ocorreu em escala na Espanha, durante o percurso para o Japão

Amanda Pupo, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2019 | 13h18
Atualizado 27 de junho de 2019 | 15h31

BRASÍLIA – O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, ressaltou nesta quarta-feira, 26, que o sargento da Aeronáutica preso por transportar drogas na bagagem não embarcaria no voo de ida do presidente Jair Bolsonaro ao Japão, mas que a tripulação da qual ele fazia parte estaria no avião de volta da comitiva, após a cúpula do G20 no país asiático.

O vice de Bolsonaro também afirmou que o militar estava trabalhando como uma "mula qualificada", devido à quantidade de drogas carregada – 39 quilos de cocaína, segundo o Diario de Sevilla. “Ele estava trabalhando como mula e uma mula qualificada”, comentou Mourão, citando o termo usado para pessoas pagas por traficantes para transportar drogas.

O episódio, que criou desconforto ao Palácio do Planalto, levou o governo brasileiro a mudar a escala do presidente de Sevilha para Lisboa. A secretaria de comunicação da Presidência afirmou, em nota, que o militar “não estaria na Comitiva Presidencial”. “Ele pertence ao Grupo de Transportes Especiais da Força Aérea Brasileira e exerce função de comissário de bordo”, afirmou.

No Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Weverton Rocha (PDT-MA) apresentaram um requerimento para convidar o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, a prestar esclarecimentos à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa sobre o caso.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, Mourão afirmou que as Forças Armadas “não estão imunes a esse flagelo da droga”. “Isso não é a primeira vez que acontece, seja na Marinha, seja no Exército, seja na Força Aérea. Agora, a legislação vai cumprir o seu papel e esse elemento vai ser julgado por tráfico internacional de drogas e vai ter uma punição bem pesada”, disse o vice de Bolsonaro.

Mourão também negou que tenha havido falha na segurança e, questionado como foi possível o militar embarcar com mais de 30 quilos de cocaína, afirmou que a “resposta tem que ser dada pelo Ministério da Defesa”. “Não houve falha na segurança, ele não era da aeronave presidencial, era uma aeronave de apoio”, disse.

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.