Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Após dia violento no Rio, polícias ocupam Cidade de Deus

Operação no local teve 38 presos e 48 escolas paralisadas; ação ainda se estendeu para outras comunidades do Rio

Fábio Grellet e Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2018 | 06h54
Atualizado 08 de fevereiro de 2018 | 00h53

RIO -  A Cidade de Deus, comunidade pobre na zona oeste do Rio, foi ocupada ontem em ação integrada de 3 mil homens das polícias Civil e Militar, das Forças Armadas, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional. Outras três comunidades foram ocupadas, um dia após as mortes de Emilly Sofia, de 3 anos, em Anchieta, em um assalto, e de Jeremias Silva, de 13, durante operação policial no Complexo da Maré.

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Ao menos 38 pessoas foram detidas na Cidade de Deus, mas, segundo moradores, muitos traficantes teriam fugido usando o transporte público. Foram apreendidos três fuzis, quatro pistolas, carregadores, munição e drogas. A ação paralisou aulas em 48 escolas, no terceiro dia do ano letivo.

Especialistas questionam esse tipo de operação que amedronta comunidades (e às vezes mata civis) para combater o tráfico de drogas e armas. Faixa da ONG Rio de Paz, pedindo desculpas às vítimas, foi estendida no Cristo Redentor.

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Estamos vivenciando uma patologia social: duas crianças morreram e não houve mobilização por parte da sociedade. Isso é muito sintomático", afirmou um dos fundadores da Rio de Paz, Antônio Carlos Costa. 

A ação integrada se estendeu por outras comunidades da região metropolitana e locais considerados estratégicos como a BR-101 e o Arco Metropolitano. Operações da polícia foram feitas em comunidades da Covanca, em Jacarepaguá; do Morro do Barão, na Praça Seca; e da Rocinha, em São Conrado. O objetivo era prender dez chefes do tráfico nessas comunidades. Nenhum foi preso.

Revolta. Emilly Sofia Marriel, de 3 anos, foi enterrada na tarde de ontem na zona oeste carioca. Emocionados, cerca de 60 parentes e amigos usavam uma camiseta onde se lia: "Hoje morre um sonho. Que descanse em paz". Jessica, a tia da vítima, lamentou. "Meu filho hoje perguntou por Nana (como Emilly era chamada entre parentes). Como explico isso para uma criança de 5 anos?".

O relatório Direito à Segurança Pública na Maré, sobre o local da morte do rapaz, mostra que, em 2017, foram registrados ao menos 108 tiroteios na região.

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