Formação, experiência e liderança agradam ao prefeito

Fora de carreiras públicas no momento em que têm mais a oferecer, PMs ganharam prioridade na gestão Kassab

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

10 de maio de 2009 | 00h00

Eles têm entre 50 e 60 anos. Grande parte vem da geração de aspirantes do começo dos anos 1970. Começaram na Polícia Militar durante a ditadura, mas galgaram os mais altos postos da carreira em governos democráticos. Muitos têm uma segunda faculdade e cursos de pós-graduação. Na administração municipal, por permanecerem atuando em tarefas de combate ao crime, preferem não tirar fotos. Para dificultar a vida de jornalistas, geralmente dão entrevistas cuidadosas, cheias de termos técnicos e abstratos, como "sinergia", "qualidade total", "metas" e "indicadores".Passaram a ter prioridade entre os escolhidos pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) justamente por estarem fora das carreiras públicas no momento em que mais acumulam experiência. Todo coronel é obrigado a deixar o cargo depois de cinco anos de serviços. "Eles têm capacidade de liderança e estão aposentados de suas funções na Polícia Militar, em uma fase da vida em que têm muita energia para servir ao público", diz o prefeito.A variedade de formação e de experiências também ajuda na distribuição das tarefas em diferentes postos da cidade. Bacharel em Direito pelo Largo de São Francisco, a chefe de gabinete da Subprefeitura de Campo Limpo, coronel Vitória Brasília de Souza Lima, já foi comandante do Batalhão Feminino na zona norte da capital e candidata a vereadora no ano passado. Ela se recusou a dar entrevistas por estar a pouco tempo no cargo.O coronel Jair Pacca de Lima, chefe de gabinete da Subprefeitura do Butantã, é formado em História. O coronel Fernando de Souza Brito, chefe de gabinete da Subprefeitura de Guaianases, foi policial e trabalhou por 22 anos na zona leste em atividades ligadas ao policiamento comunitário. Já conhecia bem a região. Para ser admitido nas Coordenadorias de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (CPDU) e de Projetos e Obras (CPO) é preciso ter formação em Engenharia ou Arquitetura. Não foi difícil encontrar oito coronéis diplomados nessas áreas na corporação. É o caso do diretor da CPDU da Subprefeitura de Vila Mariana, Adílson Alves de Moraes, formado em Engenharia Civil. PSICODRAMACom curso de graduação e pós-graduação em Psicologia, o coronel Roberto Allegretti assumiu uma função aparentemente distante de seus conhecimentos. É diretor de Administração e Finanças da CET. Entre 1999 e 2002, no entanto, como chefe da Casa Militar no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), passou a administrar os recursos de toda a Defesa Civil do Estado. Foi nesse posto que conheceu o atual secretário Municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, que era o titular da Secretaria Estadual de Justiça. Na Prefeitura, Moraes o chamou para o cargo.Mesmo na burocracia da CET, Allegretti não esconde a paixão pela Psicologia. Conta com orgulho a peça de teatro que coordenou para desestimular o suicídio policial. Os atores mostravam no palco o sofrimento da família dos militares mortos e encerravam a apresentação cantando o hino da Polícia Militar. "Toda a plateia se levantava e se acabava no choro", se recorda, entusiasmado.Curiosamente, apesar da grande quantidade de coronéis em postos municipais, eles estão praticamente ausentes justamente nas duas carreiras mais diretamente ligadas à função policial: a Secretaria Municipal de Segurança e a Guarda Civil Metropolitana (GCM). Após 23 anos de ex-policiais militares no comando, neste ano o prefeito Kassab decidiu colocar um oficial de carreira no posto principal da GCM. Trata-se do comandante Joel Malta de Sá, na corporação desde sua fundação. "Era o momento para valorizarmos os quadros da GCM", diz o secretário Municipal de Segurança, Edson Ortega, ex-líder estudantil, formado em Direito e Administração. Ortega, que escolheu um coronel para a assessoria técnica do gabinete, defende a escolha do prefeito. "Foi uma inovação interessante. Outros logo vão copiar", diz.

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