Leonardo Zvarick
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Formado só por mulheres, Bloco Pagu desfila no centro de SP

Criado em 2017, bloco já tem 130 mulheres na bateria; repertório tem canções de Marisa Monte e Gal Costa

Leonardo Zvarick, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2019 | 16h25

SÃO PAULO - O movimento na Praça  da República já era grande por volta das 13h30, ainda que a saída do bloco de carnaval só estivesse programada pra dali uma hora e meia. A bateria, composta só por mulheres, já se organizava em volta do caminhão de som.

Esse é o terceiro ano de realização de Pagu, bloco ligado à temática feminina desde sua concepção. "Tudo começou em 2016, quando eu e uma amiga tivemos a ideia de criar um bloco", relata Thereza Menezes, de 33 anos. "Como a gente já transitava muito pelo universo feminino dentro da nossa área, que é  o cinema, o conceito surgiu naturalmente", conta. 

Desde a primeira edição, em 2017, o tamanho da bateria mais que dobrou - hoje, são 130 mulheres se apresentando para o público de São Paulo, muitas sem nenhuma experiência prévia.

"Essa é a primeira vez que saio num bloco, nunca tive experiência parecida antes", diz Luiza Rossi, de 30. Ela começou a frequentar as oficinas promovidas pela organização do bloco no final do ano passado.

É o mesmo caso da terapeuta Carolina Tannure, de 37. Ela conheceu o Pagu por meio de um ensaio público da bateria, em janeiro de 2018. "Aquilo me contagiou tanto que me cadastrei para a oficina seguinte no dia em que a inscrição foi aberta", relata.

"Não se trata só do bloco ou só da música, é  um ambiente maravilhoso e de muita união", disse a terapeuta. Essa percepção é  comum a todas que participam. Bruna Sano, de 31, participou de outras baterias nesse ano, mas só na de Pagu encontrou tamanha união. "É um clima que a gente não encontra em blocos mistos, uma energia muito diferente. A bateria ainda é um ambiente muito masculino", disse. 

O bloco começou a andar por volta das 15h, após abertura clamando por respeito aos direitos das mulheres durante a folia e homenageando a vereadora Marielle Franco, morta há quase um ano.

O repertório vai de Marisa Monte a Gal Costa. Segundo Thereza, as músicas tocadas são todas facilmente associadas à voz de uma mulher, seja compositora ou intérprete.

Às 15h30, começaram gritos de protesto contra o presidente Jair Bolsonaro, com o apoio da bateria. A cena se repetiU algumas vezes durante o trajeto pelas ruas do centro.

Pagu se inspira na estética modernista para a construção de sua identidade visual, sobretudo na escritora e militante homônima, que foi casada com Oswald de Andrade na década de 1930.

 

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