REUTERS/Adriano Machado
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Fornecedora da Vale diz que não pretende continuar trabalhos em barragens

Diretor de uma das empresas contratadas para atuar na Mina do Córrego do Feijão deve apresentar exigências para atuar em algumas estruturas da mineradora

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2019 | 19h42

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o diretor de uma das empresas contratadas para executar os trabalhos solicitados pela Vale e pela Tüv Süd nas barragens da Mina do Córrego do Feijão antes do rompimento da barragem I, no dia 25, disse que não pretende mais expor funcionários em estruturas como as de Mariana e Brumadinho. As estruturas são barragens à montante, construídas acima do curso do rio. Mais barato, o modelo é menos seguro.  

Ele pede para não ser identificado e diz que não é hora de “caça às bruxas”, mas afirma que, do contrato que tem com a mineradora para atuar em 150 barragens, não pretende voltar a pelo menos dez delas. “Isso (barragem à montante) não se usa em lugar nenhum mais do mundo, só no Brasil. Quem tem que ser investigado é quem aprovou esse modelo”, defende, criticando os reguladores.

Segundo o executivo, a primeira reunião com a Vale sobre o futuro dos contratos deve acontecer nesta semana, quando pretende apresentar “algumas exigências” para continuar os trabalhos. Os quatro funcionários da empresa que estavam na mina de Córrego do Feijão se salvaram, mas a empresa já havia perdido duas pessoas no rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

“Temos de tomar cuidado com esse momento de caça às bruxas, mas tenho convicção de que somos vítimas também. Perdemos R$ 1 milhão em equipamentos”, explica. Ele defende o desenvolvimento de um plano nacional de evacuação, ou seja, para a retirada das populações que vivem em áreas de risco, próximas a barragens à montante, como as de Brumadinho e Fundão. 

“O Brasil tem 88 barragens com esse perfil. São essas que precisamos atacar. Não importa o custo. Custo absurdo é perder 400 vidas”, afirma. Procurada, a Vale não havia respondido à reportagem até as 19h30. 

Prisões

Em decisão unânime, os ministros que integram a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concederam liberdade a dois engenheiros da empresa alemã Tüv Süd e a três funcionários da mineradora Vale presos em uma operação para apurar responsabilidades pelo desastre em Brumadinho (MG). Os magistrados não viram fundamentos legais que justificassem a prisão temporária dos presos. Os habeas corpus foram discutidos durante sessão realizada na tarde desta terça-feira, 5, e foram trazidos ao plenário pelo presidente da Turma, ministro Nefi Cordeiro.

A decisão liminar (provisória) coloca em liberdade os engenheiros André Jum Yassuda, Makoto Namba, Rodrigo Artur Gomes de Melo, gerente executivo operacional da Vale, Ricardo de Oliveira, gerente de meio ambiente da Vale, e Cesar Augusto Paulino Grandchamp. A decisão vale até que o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais julgue o mérito dos pedidos de liberdade, que foram negados liminarmente no último sábado, 2.

 

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