Fornecedora de energia diz que não faltou luz no Cindacta-4

Falta de energia é apontada pelos controladores como responsável pela pane da madrugada de sábado

André Alves, do Estadão,

22 Julho 2007 | 19h42

A Manaus Energia, concessionária do serviço de distribuição de energia na capital do Amazonas informou que na noite de sexta-feira, 20, quando ocorreu o "apagão" no Cindacta-4, a empresa não registrou cortes no fornecimento. "Não houve falta de energia. O problema foi de ordem interna", disse o diretor de Distribuição da Manaus Energia, Wenceslau Abtibol, neste domingo, 22. A pane obrigou aviões vindos do exterior a aterrissarem em outros países e provocou atrasos em 44,7% dos 1.282 vôos internacionais programados até às 18h30.   'Não somos terroristas', reagem os controladores Entidade quer intervenção internacional para resolver crise Família espera três dias para embarcar para os EUA Caos aéreo no Brasil repercute no exterior Pane no Cindacta de Manaus atrasa vôos   A falta de energia no Cindacta-4, que controla 90% de todo o tráfego entre o Brasil, Estados Unidos e América Central, e o não funcionamento dos grupos geradores do centro de controle são apontados como responsáveis pelo "apagão" aéreo que transtornou a vida de passageiros a partir da madrugada de sábado. O diretor de Distribuição da Manaus Energia foi enfático ao dizer que a empresa não fez cortes no serviço, o que contradiz a versão de controladores.   Segundo os militares que trabalharam na noite de sexta, por volta das 22h20 a energia fornecida pela empresa faltou pela primeira vez, quando o sistema de geradores do Cindacta não funcionou para suprir a falta de energia. Às 22h50, o fornecimento comercial foi restaurado. Passaram-se mais 27 minutos, quando, às 23h17 houve nova queda de energia.   Nesse momento, as baterias dos geradores usados no primeiro corte, e que não foram recarregadas, não funcionaram mais. E novamente os grupos geradores do Cindacta-4 não entraram em ação. Foi nesse exato momento, de acordo com os controladores que estavam de plantão, que o pânico tomou conta dos militares, porque os monitores de controle aéreo apagaram, e aviões nacionais e internacionais que sobrevoavam a região Norte do País ficaram voado às cegas.   O Comando da Aeronáutica já instaurou sindicância para apurar os fatos. Neste domingo, o comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Juniti Saito, esteve no Cindacta-4 para iniciar as investigações.   Cindacta-4   O Cindacta-4 fica localizado no bairro Tarumã, na zona oeste de Manaus, a cerca de 20 km da região central da cidade e a 4 km do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. O lugar é isolado e ao redor do Cindacta-4 há grandes faixas de extensão de terras sem nenhuma residência.   Em seus turnos de trabalho, os 70 controladores de vôo (eram 80, mas dez foram afastados) são pegos em casa por um microônibus especial da Aeronáutica. Eles trabalham em quatro turnos, sendo dois turnos de seis horas, um de cinco horas e outro de sete horas (pernoite).   Antes da crise aérea eles atuavam em três turnos: dois de sete horas e meia e um de nove horas. Por pernoite de nove horas recebiam R$ 18 (um benefício chamado de "etapa de alimentação"). Como o turno de 9 horas não existe mais, o benefício foi cortado. O corte desagradou ainda mais os controladores, que já reclamavam dos baixos salários.   A nova escala de trabalho dos controladores do Cindacta causou insatisfação geral dentro do centro de controle, já que, agora, fazer trocas de turno (ou seja, pedir para mudar de horário com um colega) ficou quase impossível.   "Há dias em que entro no 1º turno às 6h30 e trabalho até às 12h30. Daí volto para casa, descanso, e volto às 23h30 e fico até às 7 horas", relata um controlador, ao comentar sobre a nova escala de trabalho. O Cindacta 4 trabalha com energia comercial, fornecida pela Manaus Energia, concessionária do serviço na capital do Amazonas. Quando, por algum motivo, o fornecimento de energia é cortado, dois grupos geradores de energia do Cindacta devem entrar em ação. Mesmo que não entrem em ação, os computadores do centro de controle ficam ligados por cerca de uma hora, sustentados por um gerador. 

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