Romulo Piauilino/ Prefeitura de Teresina/ Divulgação
Romulo Piauilino/ Prefeitura de Teresina/ Divulgação

Fortes chuvas em Teresina deixam ao menos dois mortos e dezenas de casas destruídas

De acordo a Defesa Civil, muro de contenção de um clube se rompeu em razão do acúmulo de água

Thaís Araújo, Especial para o Estado

05 de abril de 2019 | 05h51
Atualizado 05 de abril de 2019 | 19h27

Correções: 05/04/2019 | 19h27

TERESINA e SÃO PAULO - Duas pessoas morreram e cerca de 40 famílias estão desabrigadas após uma forte enxurrada atingir o bairro Parque Rodoviário, na zona sul de Teresina, no Piauí,, na noite de quinta-feira, 4. Uma lagoa que represava água em um clube abandonado do bairro acabou rompendo com as chuvas, e ao menos 30 casas foram arrastadas pela água.

As vítimas são uma idosa e uma criança. Elas foram identificadas como Maria das Graças Barcelar de Holanda, de 72 anos, e Flávio Josiel Alves da Silva, de 4 anos. Ambos moravam bem próximos da estrutura que rompeu, e tiveram suas casa completamente destruídas. 

“Eles perderam tudo. As outras crianças só se salvaram porque se apoiaram nos móveis e os vizinhos ajudaram a tirar a família de casa; não deu para pegar nem os documentos”, relatou Regina Alves, avó de Josiel, que ainda foi levado para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT), mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a avó, no momento em que a casa veio abaixo, o garoto estava com a mãe e outros cinco irmãos. Josiel foi enterrado na tarde desta sexta, 5, em um cemitério da zona sul de Teresina.

O vigilante Valdemiro de Holanda, cunhado de Maria das Graças, que morreu com a enxurrada, morava em um dos imóveis atingidos. “Os vizinhos ligaram para contar que as duas casas estavam no chão e que meu irmão e minha cunhada tinham desaparecido. Vim correndo e saí procurando por eles no meio da lama. Meu irmão estava em cima do telhado de uma casa e conseguiu se salvar, mas a minha cunhada só foi encontrada morta, quatro quarteirões depois de onde moravam”, lamentou Valdemiro.

Maria das Graças será enterrada neste sábado, 6, em Teresina. Manoel se recupera na casa de parentes, após ter tido alta do HUT. 

Atendimento às vítimas

Um centro de atendimento às vítimas foi montado na praça do bairro. Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Fundação Municipal de Saúde e Secretária Municipal de Assistência Social, entre outros órgãos, auxiliaram as vítimas durante todo o dia desta quinta-feira, 5. Ao todo, foram mais de 30 feridos, mas somente um paciente permanece internado no HUT. Edimilson Pereira Lima, de 58 anos, está com o quadril fraturado e deve passar por cirurgia. O estado de saúde dele é considerado estável.

Segundo informações da Defesa Civil de Teresina, as famílias desabrigadas estão na casa de parentes ou amigos, no Programa Família Acolhedora. O chefe da Defesa Civil Municipal, Sebastião Domingos, informou ainda que o bairro Parque Rodoviário já estava incluso no mapeamento de áreas de risco da capital, porém o que aconteceu foi "atípico".

“A água ficava represada dentro desse clube e, com as chuvas dos últimos dois dias, um muro que servia de contenção desabou; uma estrada, que ligava o clube às áreas mais baixas, também foi cortada pelas águas”, explicou Sebastião Domingos. A enxurrada seguiu em direção ao Rio Poti arrastando casas, móveis e veículos. Sete ruas do bairro foram atingidas e a estimativa é de que a água tenha percorrido quase 1,5 quilômetro.

Nesses primeiros quatro dias de abril, já choveu em Teresina mais da metade do previsto para todo o mês. Somente a chuva da madrugada de quinta para sexta-feira, no dia da enxurrada, registrou 68 mm, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Moradores do bairro denunciam que já tinham procurado a prefeitura para informar da situação do clube, abandonado há pelo menos oito anos. Porém, a prefeitura desmente a informação. Em visita ao local da tragédia, nesta quinta-feira, o prefeito Firmino Filho (PSDB) determinou que uma comissão formada por técnicos municipais e membros do Conselho Regional de Engenharia (CREA) e da Universidade Federal do Piauí (UFPI) apure as responsabilidades do acidente.

Situação de emergência

O Climatempo informou que o prefeito decretou situação de emergência em razão dos problemas causados pelo excesso de chuvas nos últimos dois dias e da elevação do nível dos rios Poti e Parnaíba, que passam pela cidade.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta sexta é de mais pancadas de chuva e trovoadas. Pela medição do órgão, em apenas quatro dias Teresina recebeu 52% da média de chuva normal para o mês de abril. Choveu quase 137 mm, sendo que a média é de 266 mm. / COLABORARAM PEDRO PRATA, JÉSSICA OTOBONI e ANA PAULA NIEREDAUER

Correções
05/04/2019 | 19h27

Diferentemente do que informava versão anterior deste texto, as chuvas em Teresina deixaram duas vítimas fatais, e não três.

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