Fórum deve propor medidas contra a violência

A esquerda brasileira deve sair do Fórum Social Mundial decidida a apontar medidas de médio e curto prazos para o combate à violência. Num dos painéis desta tarde em Porto Alegre, os debatedores concluíram que é preciso superar a visão preconceituosa do passado, que sempre vinculou questões de segurança à mera defesa do patrimônio das elites. ?Até porque a violência atinge hoje mais os pobres, sobretudo os jovens?, disse (por telefone) o diretor-executivo do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, um dos principais expositores no painel.Trocar o discurso tradicional por uma ?agenda? mais prática significa tirar o foco das ?causas estruturais da violência? e partir para propostas como as campanhas por desarmamento, policiamento comunitário, treinamento e requalificação policial e estímulo a penas alternativas, segundo Mizne.Idéias que não deixam de causar polêmica, mas cuja discussão não embola nas ideologias.?Precisamos mostrar à sociedade que o Brasil é onde mais se morre por armas de fogo e que, ao contrário do que se pensa, mais de 80% das armas usadas para matar são revólveres comuns, vendidos legalmente e que caem nas mãos de criminosos?, argumenta Mizne. ?Isso desmonta a tese de quem quer arma para se defender.? Nesta linha, reforça também a necessidade da proibição da venda de armas.Policiamento comunitário ? com conselhos de moradores em contato direto com os policiais ? e qualificação do efetivo já são idéias bem-aceitas de modo geral. Quanto às penas alternativas, a esquerda terá de provar que não sugere isso apenas para proteger bandidos. ?Temos de acabar com a impunidade, e a melhor forma para isso é punir de modo conseqüente?, opina o diretor do instituto. ?A sociedade precisa conhecer a eficácia das penas baseadas em trabalho comunitário e se convencer de que um pequeno crime não se pune jogando alguém dentro de fábricas de criminosos, como são os presídios.?

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