Fórum discute caminhos para erradicar a pobreza

A discussão sobre erradicação da pobreza tomou conta dos debates no primeiro dia do II Fórum sobre Desenvolvimento, promovido pelo Banco Mundial (Bird).Se houve consenso sobre a necessidade de combater os atuais níveis de pobreza, na definição dos caminhos a serem tomados para esse combate os debatedores apresentaram sugestões distintas.O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, defendeu que o crescimento econômico proporciona uma melhor distribuição de renda e, consequentemente, uma redução dos atuais níveis de pobreza no País.Bier insistiu em que o crescimento só acontecerá de maneira sustentável caso sejam mantidas políticas monetária e fiscal responsáveis. ?Não há antagonismo entre políticas monetária e fiscal responsáveis e a idéia de uma atuação forte do setor público na busca de mecanismos para reduzir o nível de pobreza?, disse.O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque apontou outro caminho a ser seguido para combater a desigualdade social. Para Buarque, crescimento, em si, não significa combate à pobreza. ?Permitir o acesso das populações mais carentes a comida, educação, saúde, transporte público e moradia, com saneamento básico, não é alcançado só com o crescimento econômico?, disse.Para o ex-governador, a erradicação da pobreza só será alcançada se o governo desenvolver mecanismos de incentivo social direto, como por exemplo, o programa bolsa-escola. ?A erradicação da pobreza acontece a partir do momento em que toda a energia ociosa dos mais pobres e desempregados é canalizada para produzir bens demandados exatamente por estes mais pobres?, disse.Para Buarque, é possível criar mecanismos de incentivo social sem que isso altere princípios que, na sua opinião, serão mantidos nos próximos anos, como respeito às leis de mercado, Estado pequeno, liberdade comercial, estabilidade monetária e continuidade do processo de privatizações.No longo debate de idéias sobre como erradicar a pobreza, o ex-presidente do Banco Central (BC) Carlos Langoni defendeu que as mudanças a serem implementadas nas instituições brasileiras precisam ser feitas visando uma maior eficiência dessas mesmas instituições sobre decisões econômicas e sociais.Apesar de considerar positiva a estabilidade econômica alcançada pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, Langoni criticou a dificuldade de alcançar um crescimento sustentado, que permita então uma melhor distribuição de renda no País.?Os países da América Latina não conseguiram fazer a transição da estabilidade econômica para o crescimento sustentado?, frisou. ?Também não foram bem-sucedidos no trabalho de promover crescimento com melhor distribuição de renda?, completou.Langoni insistiu em que o atual quadro de vulnerabilidade, tanto interna quanto externa, dos países da América Latina, reflete a lenta modernização das instituições dentro desses países.O pano de fundo de toda a discussão do primeiro dia de trabalho do II Fórum sobre Desenvolvimento foi o último relatório do banco sobre a construção de instituições para os mercados.O diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, que também esteve presente aos debates, afirmou que não existe uma polarização entre mercado e Estado. Para o economista, o governo tem como responsabilidade implementar mecanismos de regulamentação, que permitam uma melhor atuação dos mercados.Goldfajn disse que os Estados podem e devem aprimorar suas instituições para a geração de um crescimento econômico sustentável, mas jamais poderão substituir os mercados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.