Fórum discute efeito de atentados sobre educação

Os atentados terroristas de 11 de setembro contra os Estados Unidos deverão afetar negativamente os investimentos em educação nos países em desenvolvimento, como o Brasil.A avaliação é do professor argentino Carlos Alberto Torres, PhD em Desenvolvimento Internacional da Educação pela Universidade de Stanford, e baseia-se na previsão de um refluxo de capitais estrangeiros por causa das novas demandas internacionais, como segurança.?O combate ao terrorismo vai exigir um aporte de recursos muito maior para o orçamento militar e para segurança dos Estados Unidos, o que implica uma perda imensa de capitais (por parte de países como o Brasil) que poderiam financiar a educação?, afirma Torres, um dos debatedores convidados para o Fórum Mundial de Educação, que começou nesta quarta-feira, em Porto Alegre.De acordo com o argentino, que leciona nos Estados Unidos, a tendência é de aumento dos gastos públicos pelo governo americano, que opera atualmente em superávit fiscal, e cortes na América Latina, onde há déficit.Embora os investimentos estrangeiros não financiem diretamente a educação, apresentam um efeito em cadeia positivo, que desapareceria a partir do refluxo de capitais.Torres também prevê um crescimento da intolerância nas escolas americanas devido aos conflitos religiosos. ?Essa é uma nova questão que surge para tratarmos, pois a educação depende da tolerância com a diversidade?, diz o professor.Como Torres, uma centena de educadores e pesquisadores estrangeiros estão na capital gaúcha para debater os rumos da educação no mundo globalizado.O especialista em educação de Camarões, Pierre Fonkoua, por exemplo, vai relatar a experiência de seu país, um dos mais pobres do mundo, sobre a conversão de parte da dívida externa em investimentos sociais.O acordo avalizado pelo Banco Mundial foi fechado neste ano e prevê a utilização de US$ 2,5 bilhões nos próximos três anos. ?Os credores concordaram em dirigir os pagamentos da dívida para a construção escolas e outros investimentos educacionais?, afirma Fonkoua.A rede de ensino em Camarões é precária e dominada pelo setor privado, que se tem expandido nos últimos anos pela implantação de instituições internacionais ? fenômeno que Fonkoua chama de ?macdonalização? do sistema educativo.O pedagogo colombiano Ramón Moncada, por sua vez, dará seu testemunho sobre os efeitos da guerra em seu país sobre na educação.Segundo ele, o confronto entre grupos paramilitares e guerrilheiros não só tem reduzido o orçamento social às custas do militar como tem expulsado milhares de pessoas do campo, acentuando as deficiências do sistema educacional, que atende 90% da população em nível fundamental e 75% em nível médio.Apesar do alto nível de diversidade dos sistemas educacionais pautados nos debates, os promotores do Fórum Mundial de Educação acreditam na possibilidade de sintetizar os pontos em comum para traçar uma política alternativa.A Carta do Fórum, com a síntese dessa alternativa, deverá ser aprovada no sábado, último dia do encontro.Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.