Fórum Social cria calendário de manifestações

Depois de 108 horas de discussões, o 2º Fórum Social Mundial terminou nesta terça-feira sem um documento que reunisse todas as propostas, até porque não houve ali um pensamento único, mas com um "calendário de resistência" contra o neoliberalismo, o militarismo e a guerra."Viramos uma ONU das bases", resume Maria Luisa Mendonça, diretora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e integrante do comitê de organização do fórum.A ênfase da segunda edição do Fórum Social Mundial, desta vez, não esteve em grandes pensadores nem em personalidades que costumam roubar a cena, como ocorreu em 2001 com o ativista francês José Bové - bem contido neste ano, diga-se de passagem, a pedido da cúpula petista.Ao contrário, os debates do chamado "supermercado de idéias" culminaram com o lançamento de redes para mais discussões, como o fórum permanente de direitos humanos. Além disso, ficou decidido que haverá fóruns regionais e continentais, de outubro a dezembro deste ano.Detalhe: a nata planetária do liberalismo não está a salvo da turma que se concentra em Porto Alegre. Uma das reuniões deve ser realizada na Califórnia, nos Estados Unidos. Outra, na Palestina. "O Fórum Social Mundial não é mais um evento de cinco dias na capital gaúcha", comemorou Carlos Tibúrcio, diretor da Attac (Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos) no Brasil e integrante do comitê de organização."Há um processo de mundialização da luta pela paz e justiça social." De qualquer forma, Porto Alegre continuará sendo, no fim de janeiro de 2003, a meca dos partidos de esquerda e ONGs ligadas a movimentos sociais. A idéia, porém, é descentralizar e fazer fóruns com o mesmo formato no Nepal, no Equador, na Palestina, em Israel e em pelo menos um país da Europa."Vamos tentar exportar um padrão comum", garantiu Tibúrcio. "Há unidade de valores na diversidade." No calendário de luta aprovado durante os cinco dias de debate, estão previstas manifestações, de março a dezembro, durante reuniões da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial, do G7 (grupo dos sete países mais ricos) e da União Européia.Para uns, a batalha é pela "democratização dos sistemas globais". Para outros, é antiglobalização mesmo. "Só o povo organizado pode botar um freio nesse processo contra o imperialismo", resumiu João Pedro Stédile, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).Apesar dos protestos, pelo menos uma entidade e um partido ligados ao grupo separatista basco ETA participaram do fórum, assim como integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs). Entregaram panfletos e foram vistos em conferências.As únicas ocorrências do 2º Fórum Social Mundial foram uma tentativa de assalto a um carro-forte, no prédio onde se realizavam os debates, e duas tortas de chocolate arremessadas no rosto da ministra da Juventude da França, Marie Buffet.

Agencia Estado,

05 de fevereiro de 2002 | 23h32

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