Fóruns na deep web têm 'códigos de conduta'

'Estado' analisou grupos de pornografia infantil com apoio de técnicos do MPF

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

07 Março 2018 | 03h00

Com o apoio de técnicos do Ministério Público Federal (MPF), o Estado analisou os grupos na deep web em que os criminosos trocam informações. A identificação do usuários é considerada difícil, já que nenhuma informação pessoal fica registrada. O conteúdo vai de fotos de crianças nuas, cenas de sexo e até o compartilhamento de um “guia” de pedófilos em inglês, chamado de Handbook. 

O documento traz “dicas” de como os criminosos podem compartilhar e produzir imagens das crianças sem serem pegos pelas autoridades. Em um dos fóruns mais conhecidos entre brasileiros, há pelo menos 400 tópicos, que chegam a bater mais de 1 mil visualizações cada. Logo na página inicial é possível acessar as regras e dicas escritas pelo moderador da página.

"Você pode imaginar um dia acordar e ver fotos suas, seus dados e vida pessoal postado em um site de pedofilia ou grupos relacionados? É um risco latente para todos", diz o autor do texto. Apesar de o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) tipificar como crime o compartilhamento e armazenamento de imagens de pornografia infantil, eles não se veem como criminosos. 

Mesmo assim, trocam informações para evitar serem pegos. "Você pode pensar que basta assistir ou que não fez nada de errado, mas o simples ato de navegar dentro dos perfis do Facebook assistindo as crianças é um motivo para sair no noticiário, sendo apresentado como parte do grupo internacional de pederastas perigosos. Essas coisas que aconteceram e continuam a acontecer."

Brasileiros. Embora não seja possível ter certeza se o conteúdo compartilhado foi produzido pelos próprios usuários e se tem crianças brasileiras, alguns postam fotos que dizem ser de conhecidos.

O avanço de brasileiros também pode ser visto pelo surgimento de diversas páginas de chats ou fóruns em que todos falam somente português. Em um dos chats, cujo título remete a brasileiros, os membros trocam fotos e até as vendem - não foi possível confirmar se alguma transação foi, de fato, efetuada.

Para evitar serem monitorados, os criminosos também usam grupos dos aplicativos de celular como WhatsApp e Telegram, que costumam trocar a cada um ou dois dias. As investigações das autoridades apontam que, para continuar no grupo, é preciso ser ativo, ou seja, enviar imagens de crianças. A estratégia é usada muitas vezes para afastar “curiosos” e manter apenas os interessados no tema no grupo.

 

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