Fotógrafo de jornal online é preso durante protestos no Rio

Jornalista foi detido em flagrante e autuado por incêndio criminoso, roubo, depredação e formação de quadrilha; para diretor do veículo, prisão 'não faz sentido'

Adriano Barcelos, O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2013 | 16h52

RIO - Pelo menos um jornalista foi preso durante os protestos da noite de terça-feira, 15, na Cinelândia, região central do Rio. Segundo o editor do jornal online independente Zona de Conflito, Marco de Sordi, o repórter fotográfico Ruy Barros foi preso no entorno da Praça Floriano, coração da Cinelêndia, e encaminhado para a 37ª DP, na Ilha do Governador.

Segundo De Sordi, Barros fazia a cobertura fotográfica do confronto entre black blocs e policiais para uma reportagem a ser exibida na Holanda. O jornalista, preso em flagrante, foi autuado por incêndio criminoso, roubo, depredação do patrimônio público e formação de quadrilha ou bando. O editor reclama que o trabalho dos advogados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), do Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (IDDH) e do próprio jornal foi dificultado. "Mesmo os familiares conversaram com Ruy só rapidamente. Só puderam entregar uma garrafa d'água e um pacote de biscoitos, já que ele ficou muito tempo sem comer", afirmou De Sordi.

A partir de agora, segundo o editor, o temor é que Barros - que teria sido levado para um presídio em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio - fique preso por vários dias. "Como ele foi autuado em flagrante, é preciso que ele entre no sistema (prisional) primeiro, para só depois os advogados poderem entrar com pedido de relaxamento da prisão. Acho que isso pode levar uma semana", afirma De Sordi.

Para o responsável pelo Zona de Conflito, a postura da publicação incomoda a polícia do Rio. Esta foi a segunda vez, em pouco mais de um mês, que um jornalista da publicação online é detido pela Polícia Militar durante protestos. "Isso não faz sentido. Ruy é primário, tem profissão, trabalho e emprego fixo", lamenta De Sordi.

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