Fotógrafo sobreviveu a terremoto, não à violência

O repórter fotográfico Luís Antônio da Costa, baleado e morto nesta quarta-feira ao tentar registrar uma invasão de sem-teto num terreno da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, era um dos sobreviventes do forte terremoto que atingiu a região central do Japão, numa madrugada de janeiro de 1995. Escapou de uma tragédia, mas não da violência.?Me senti dentro de um liquidificador gigante?, disse na ocasião Luís Antônio da Costa ao repórter Cley Scholz, ainda se recuperando do susto. Costa e sua mulher, a nissei Luciana, moravam em Kobe, uma das regiões mais atingidas pelo abalo, que chegou a registrar 7,2 graus na escala Richter e matou cerca de 5 mil pessoas. Ainda sob a ameaça de novos tremores, Costa dizia: ?Não esqueço o terror daquela madrugada nem do meu apartamento revirado como se tivessem virado o prédio de cabeça para baixo?. O fotógrafo tinha se mudado para o Japão em 1990, depois de uma temporada no Estado. Nos dias que se seguiram à tragédia, com muito medo e dormindo só com a ajuda de calmantes, chegou a pensar em voltar rapidamente ao Brasil. Mas espelhou-se nos japoneses: ?se eles têm disposição para recomeçar tudo, acho que devo ficar e continuar com meu trabalho?. E assim foi. Costa e Luciana ficaram no Japão até 1998. Ao retornarem, o fotógrafo passou a trabalhar para a ?Época?. E foi registrando a invasão dos sem-teto para a revista que ele foi atingido por uma bala.

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