Fotos de mortos em blitz no Alemão vão parar na web

Corregedoria da PM vai investigar se os registros foram feitos por policiais; prefeito colocou link em seu blog

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2007 | 00h00

A Corregedoria da Polícia Militar do Rio vai investigar a origem das fotos de cadáveres e armamentos apreendidos divulgadas em sites, como o YouTube, e em blogs, como o do prefeito Cesar Maia (DEM), que teriam sido feitas durante a operação de junho no Complexo do Alemão, na Penha, que deixou 19 mortos. Ontem, o prefeito divulgou em um boletim eletrônico um link para as fotos. "São imagens muito fortes. Estão sendo repassadas em rede por policiais!", informa o texto. À tarde, já não era possível visualizar as fotos pelo link no blog do prefeito e, à noite, o YouTube também já havia retirado o vídeo do ar."Precisamos descobrir se havia alguém da Polícia Militar autorizado a registrar oficialmente a operação e, a partir daí, saber como foi o vazamento. Se não havia policial destacado para o trabalho, vai ser mais difícil descobrir a origem das fotos, que poderiam ter sido feitas por policiais da Força Nacional ou de diversos batalhões e até mesmo por gente da imprensa ou moradores", disse o corregedor, Paulo Ricardo Paul. As fotos mostram pessoas ensangüentadas e com marcas de tiros. O vídeo era encontrado no YouTube numa busca que mencionava o Bope, sigla do Batalhão de Operações Especiais, tropa de elite da PM. Os usuários eram informados de que ele continha "material inapropriado" e não devia ser visto por menores.O vídeo tinha um funk em homenagem ao Bope, além de mostrar as fotos. Um trecho da música diz: "Com meu fuzil para o alto, vou te dizer que é o Bope e esse macaco vai morrer. Vou chegar na favela e vou mais adiante, entrar no beco para matar o traficante, como na Fazendinha, no Complexo do Alemão, fica ligado, foi chacina." A Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República divulgou laudo no mês passado que apontou ter havido duas execuções arbitrárias e cinco mortes por tiros à curta distância na operação. O relatório afirma que a polícia destruiu provas que poderiam incriminar os PMs. O Estado questionou a credibilidade do laudo porque "nenhum dos autores esteve na cidade para realizar qualquer diligência".

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