Fotos mostram que Matadores do 18 executaram 2 para encobrir chacina

PMs do 18.º Batalhão acusaram amigos por triplo homicídio, mas eles tinham sido presos horas antes do crime

Josmar Jozino e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

16 de fevereiro de 2008 | 00h00

Pouco antes de morrer, em 24 de maio de 2007, o pintor Charles Wagner Felício, de 32 anos, usou um celular para denunciar seus algozes. Tirou duas fotos - uma dele mesmo, às 16h51, e a outra, às 16h52, do amigo, Cleiton de Souza, de 25 - e guardou o celular na cueca. Nas imagens, ambos estão no banco traseiro de um carro, ao lado do que parece ser uma Blazer como as da Força Tática da Polícia Militar. Quatro horas depois, Charles e Cleiton apareceram mortos. Na versão dos PMs do 18º Batalhão, os amigos praticaram uma chacina, resistiram à prisão e morreram no tiroteio. Mas o crime do qual eles foram acusados aconteceu bem depois da sua prisão: às 20h10.A Polícia Civil desconfia que tudo não passou de um teatro, uma farsa montada para encobrir os verdadeiros autores da chacina: os Matadores do 18. Os PMs acusaram Charles e Cleiton de abrirem fogo num bar da Avenida Pinheirinho D?Água, no Jaraguá, zona norte, matando três pessoas e deixando uma ferida. Na versão dos policiais, os dois estavam num Corsa prata quando atiraram nas vítimas. Os homens da Força Tática disseram que estavam passando pelo lugar, ouviram os tiros e iniciaram a perseguição.Charles tinha saído da cadeia 3 anos antes, depois de cumprir 13 anos de reclusão por tráfico de drogas. Cleiton, condenado por roubo, estava em liberdade condicional.Os PMs não sabiam que, horas antes da chacina, Charles tinha tirado as fotos. Nem que uma testemunha viu quando policiais do 18º Batalhão prenderam Charles e Cleiton. Era Maricleide da Silva Felício, de 32 anos, mulher de Charles. Ouvida na apuração do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa e da Corregedoria da PM, ela afirmou que a prisão aconteceu por volta de 15h30.Maricleide disse que tinha saído com Cleiton, o marido e a filha de 6 anos no Corsa - registrado em nome de Charles - atrás de uma assistência técnica para consertar um microondas. Os quatro circularam por Perus, onde a família morava, e seguiram para a Freguesia do Ó. Acharam uma loja na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Maricleide e a filha desceram do carro para perguntar se na loja consertavam microondas. Charles e Cleiton ficaram no Corsa. Foi quando os PMs chegaram.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.