Foz do Iguaçu lidera indíce de violência para jovens no País

Estudo internacional estima que violência deve causar a morte de 33 mil jovens no Brasil em 7 anos

Fabrícia Peixoto, BBC

21 Julho 2009 | 11h48

Foz do Iguaçu é a cidade com maior chance de um jovem ser vítima de homicídio no País. A afirmação é de um estudo inédito divulgado nesta terça-feira, 21, pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. Rio de Janeiro e São Paulo aparecem na 21ª e 151ª posição da lista, com índices de 4,9 e 1,4. O Índice de Homicídios na Adolescência (IDA) mede a probabilidade de um adolescente ser assassinado. O IDA de Foz do Iguaçu é de 9,7.

 

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O levantamento foi realizado pelo Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), em parceria com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e com o Observatório de Favelas. O estudo estima que 33.504 adolescentes brasileiros serão assassinados em um período de sete anos, que vai de 2006 a 2013.

A estimativa foi feita com base em dados de 2006, considerando-se a hipótese de que as circunstâncias observadas naquele ano sejam mantidas. Foram coletadas informações sobre as causas de mortes entre jovens de 12 a 19 anos de idade em 267 municípios, todos com mais 100 mil habitantes.

O valor médio do IHA brasileiro é de 2,03, ou seja, de cada 1 mil adolescentes, 2,03 serão vítimas de homicídio antes de completar os 19 anos. "Esta cifra por si só deveria ser suficiente para transmitir a gravidade do fenômeno no Brasil, particularmente se lembrarmos que o homicídio contra adolescentes deveria ser, a princípio, um fato extremamente raro em qualquer sociedade", diz o estudo.

Homens e negros

O estudo também indica que, entre os homens, a probabilidade de uma morte por homicídio é 12 vezes maior do que entre as mulheres.

Já a probabilidade de que um negro seja assassinado é duas vezes maior do que um branco, de acordo com o levantamento. A maior diferença foi constatada na cidade de Rio Verde (GO), onde a chance de um adolescente negro ser morto é 40 vezes maior.

Também foi calculada a probabilidade de um adolescente ser morto por uma arma de fogo. Em todo o Brasil, essa chance é três vezes maior, em comparação com outras armas.

Os homicídios foram responsáveis por 46% das mortes entre adolescentes registradas em 2006. As mortes naturais somaram 26% e os acidentes, 22%. Os números apontam ainda que 3% dos adolescentes mortos se suicidaram e outros 3% morreram de causas "indefinidas".

 

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