Fracassa encontro de técnico do governo com MST

O técnico que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, enviou a Uruana de Minas para negociar a pauta de reivindicações dos sem-terra acampados em frente à Fazenda Renascença, demonstrou durante reunião com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) desconhecimento dos pleitos dos agricultores. O técnico, Milton Amorim, coordenador-geral daSuperintendência Nacional de Desenvolvimento Agrário, conseguiu irritar tanto o prefeito de Uruana, Sebastião Caetano, quanto os líderes do MST.O prefeito, que é do PSDB - partido do presidente Fernando Henrique Cardoso - disse, após a reunião, às 23h40, que "gostaria de lamentarprofundamente" o resultado do encontro, que considerou "decepcionante". O prefeito criticou o próprio presidente da República: "A gente sabe que o presidente Fernando Henrique foi o presidente que mais assentou (agricultores), mas ele tem muito o que fazer, porque a reforma agrária precisa de mais velocidade. É necessário fazer mais justiça social no País", afirmou Caetano.Um repórter lhe perguntou se estava criticando o presidente. Ele respondeu que sim. "Como companheiro (do presidente), tenho mais condições do que um adversário de criticar". Sebastião Caetano mostrou irritação quando o técnico Milton Amorim, mesmo vendo que as conversações não avançavam, se recusou a telefonar ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para solicitar nova data para outra reunião.Um dos coordenadores nacionais do MST, Gilmar Mauro, disse que lamenta a atitude do governo federal de enviar a Uruana um técnico que desconhecia a pauta de reivindicações do movimento. Mauro disse que "o governo entorpece as negociações por vaidades pessoais e birras políticas".Após o encontro com o técnico, os sem-terra se reuniram e voltaram a falar na possibilidade de montar acampamento em frente à Fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso.

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